segunda-feira, 24 de maio de 2010

Rivotril


Vamos lá, preciso escrever. Não sei exatamente sobre o que quero falar hoje. Ando meio melancólica, mas isso não é novidade.
Hoje uma amiga colocou no facebook que ela sente falta dos dias em que o sono funcionava com um botão liga/desliga. Algumas pessoas recomendaram calmantes e remédios como Rivotril. Eu recomendei chá de camomila e exercícios.
Li na Trip uma matéria sobre o enorme número de pessoas que tomam Rivotril. Impressiona... e olha que o medicamento só é vendido com receita médica! Outra coisa que me impressionou foi ver a grande quantidade de jovens (na faixa dos 30 anos) fazendo uso desse remédio fortíssimo. A reportagem ainda faz uma abordagem, que eu concordo totalmente, falando que na sociedade atual as pessoas se sentem obrigadas a serem felizes 100% do tempo. São tantas revistas que mostram celebridades em suas belas casas, passando férias em Paris, fica implícito que momentos de tristeza são proibidos, feios, pra gente fraca e pobre! Tipo o slogan de um supermercado:"aqui é lugar de gente feliz". Como já diria Zeca Balero: "Sofrimento não é amargura, Tristeza não é pecado, Lugar de ser feliz não é supermercado".
http://revistatrip.uol.com.br/revista/187/reportagens/super-normal.html
Eu ando meio triste. Não tenho vergonha disso. Nunca fiquei tanto tempo desempregada. Isso me entristece, mas não é por isso que eu vou tomar Rivotril poxa. Desde quando o homem passou a ser tão fraco a ponto de recorrer a drogas sintéticas ao invés de encarar seu problema de frente? Com certeza existem pessoas que precisam desse tipo de medicamento por uma questão de saúde, mas boa parte recorre a droga por pura praticidade.
E pra falar de alguma coisa boa, sábado uma grande amiga volta pra Sampa depois de três meses em Buenos Aires. Não vejo a hora de revê-la! Caramba, o tempo é um conceito estranho e relativo. Parece que ela foi outro dia pra lá e já é quase meio do ano... mais um pouco é Natal. Será que eu vou estar trabalhando no Natal?
Estou pensando em fazer uma pós... Preciso justificar de alguma forma esse meu período digamos sabático (haha) em que eu estou parada e já cogitei tomar Rivotril.
Que mais? Ah, a vizinha nunca mais ouviu a TV no talo. O zelador falou com ela, tudo resolvido.
Pensei em escrever sobre a máquina de lavar que meu irmão deu de aniversário pra minha mãe. Fica pra próxima.
Sem considerações políticas hoje.
Beijos e queijos

segunda-feira, 17 de maio de 2010

tem dias que a noite é foda

Oi. Hoje tá foda. Tô naqueles dias que o mau humor tenta me dominar a todo custo e essa batalha ele praticamente já venceu.
Não posso nem dizer que é só mau humor. Quando na real uma mistura de sentimentos, que não são lá dos melhores, estão tomando conta da minha cabeça. E como eu acho um saco ficar reclamando da vida pras pessoas vou reclamar aqui mesmo já que quase ninguém lê este blog.
Bom, um dos motivos do desanimo é que eu fiz uma entrevista de trabalho na última sexta (14/05). Cheguei lá confiante e feliz. A mulher me perguntou se eu sabia o que/quem era Teresa Perez e eu não sabia. Falei que não sabia mas que pelo porte da agência imaginava q fosse uma agência de turismo voltada para os públicos A e B. Acertei! A mulherzinha me deu mais detalhes sobre a empresa, clientes, roteiros e etc e eu fiquei super interessada. Depois ela me fez mais uma pergunta, eu respondi e no final da resposta ela me disse que a entrevista estava encerrada. A entrevista durou cinco minutos! Muito estranho, foi oficialmente a entrevista mais curta que eu já fiz na vida. E pior, imagino que eu tenha falado alguma coisa absurda pra ela ter me dispensado tão rápido, mas cara... o que será que eu falei de errado? Não faço a mínima ideia. Odeio RH. Podem queimar no inferno por mim.
Não aguento mais não ter trabalho e não ter dinheiro. Sabe, já tenho quase 30 anos e acreditava que quando eu estivesse nessa idade minha vida estaria mais estabilizada. Engano meu. Perdida igual cega em tiroteio, pra usar um chavão bem cliché porque tô sem paciência.
Fui pra praia no fim de semana. Foi uma delícia! Joguei frescoball, namorei bastante, tomei sol, comi torta de abobrinha e várias outras coisas boas. Adorei o fim da novela com a orquestra tocando.
Perdi um pouco o fio da meada... hum... então. Ai gente, sei lá. Marasmo é a palavra. Mudança, minha vida clama por alguma mudança. Não dá mais não trabalhar, não ter dinheiro, não passar nas entrevistas. Puta saco!
Ontem de noite a vizinha do andar de baixo deixou a televisão ligada no volume máximo até as duas da manhã. Foi foda. Eu e minha mãe tentando dormir desde a meia noite e nada. Ainda tava rolando um filme de guerra na TV da mulher, era uma gritaria de pessoas morrendo a facadas, flechadas (fica a critério da imaginação, eu imaginei flechas) pra atordoar cristãos e pagãos.
Minha mãe levantou, gritou: - Abaixa essa televisaaaaaoooo! E nada. Eu depois fui lá, gritei também e nada. Resolvi interfonar no apartamento. Isso já era umas 2h00 da manhã. Nada. Peguei um limão pra jogar na janela dela, mas minha mão não alcançava. Foi aí que minha mãe teve a fantástica ideia de bater com a vassoura na janela da vizinha. Foram necessárias três batidas para que um cachorro latisse. Minutos depois a TV foi desligada. Aleluia. Acho que a mulher acordou com o latido do cachorro e desligou a TV. Rá!
Hoje minha mãe contou a história pro zelador e ele disse que não era possível que a mulher ouvisse a TV tão alto. Minha mãe foi categórica:
- Ok, essa noite se ela deixar ligada eu te chamo pra você ir lá em casa ouvir.
Vamos ver, espero não ter que chamar o João aqui as 2h00 da manhã... mas, se essa for a solução, assim será. Gente, não é brincadeira, parecia que a TV estava dentro do meu quarto! Sem noção.
Mas é isso aí, felizes aqueles que só fazem o que bem entendem da vida, tipo Tim Maia, tipo minha vizinha debaixo que não dá a mínima se o volume tá no talo e atrapalha as outras pessoas a dormir.
Talvez esse anarquismo de atitudes seja bem libertador.
Em tempo: Legal que o Brasil obteve sucesso na missão de convencer o Irã a enriquecer urânio na Turquia. Os EUA não deram muito crédito para para o acordo, mas consideraram um passo positivo. Lembrando que semana passada Hilary Clinton se declarou cética em relação a progressos com a mediação do Brasil. Fica a dúvida se o programa nuclear do Irã é de fins pacíficos

sábado, 8 de maio de 2010

A Europa é linda, mas o Brasil é mais!


Desde criança sempre quis conhecer a Europa. Lembro de mim e uma amiga com uns 13 anos, um mapa da Europa nas mãos. Marcávamos com um lápis vermelho os lugares que iríamos quando completássemos 18 anos. O plano era trabalhar nas colheitas de uva na França e com o dinheiro viajar por vários países. Era um bom plano. Infelizmente não se concretizou. Acabei conhecendo a Austrália e uma parte da Ásia, mas a Europa ainda não tinha dado certo, muito caro.

Eis que em 2009 acabei indo não uma, mas duas vezes ao velho continente.
- “Muito chique!” - Diziam conhecidos, amigos, familiares. Sim, também acho chique! Só que com certeza não teria ido no verão e depois no inverno se não tivesse um namorado que vivesse em Londres e uma amiga que morasse na Itália.

Londres, a cidade que sempre exerceu enorme fascínio sobre mim. E esse fascínio nunca teve explicação, eu sempre quis simplesmente ir pra lá, sem saber exatamente o motivo, eu só precisava... ir. As cidades sempre me encantaram, nunca fui do tipo de paulistana que odeia São Paulo. Sim, porque a maioria dos que moram em Sampa odeiam morar aqui ou gostam de dizer que odeiam. Adoro essa coisa cosmopolita das grandes cidades, a possibilidade de comer um temaki as 03h00 da madrugada e depois ainda encontrar uma boa festa em algum canto da metrópole. Nesse aspecto Londres sempre me chamou a atenção. É, talvez seja por isso que sempre tive a necessidade de um dia ir pra lá, mesmo sem saber que esse era o motivo.

Adorei minha última estada em Londres, foram apenas 4 dias, depois segui para Amsterdam. O charme da cidade no inverno é sedutor. Os casacos, mince pie com vinho de sobremesa, pistas de patinação no gelo. Tudo muito bonito mesmo.

Cheguei a pensar que eu poderia viver lá sem sacrifícios. Hoje, quatro meses depois já não tenho mais essa certeza. O inverno brasileiro é mais verde do que o de lá. Eu gosto de falar português, ler em protuguês, assistir a peças de teatro em português, ouvir Chico Buarque e Cartola caminhando pela Rua Augusta.

E não é só a língua. É a crise também, a Grécia grita por socorro enquanto seu povo descontente com cortes de salários sai às ruas em protesto, mesmo sabendo que não existem muitas possibilidades se não esta para tentar salvar o berço da civilização ocidental. Talvez Espanha e Portugal também estejam a beira de um colapso que tentam esconder. Os britânicos votaram com medo num candidato que ainda não sabem se vai assumir porque não tem maioria no parlamento. Enfim, uma confusão só. Vou sair do Brasil pra ir pra lá fazer o que? O Brasil está decolando (http://www.braziliantvproducers.com/site/texto/Economist_Brazil_Takes_Off.pdf -capa de The Economist do fim do ano passado). Olimpíadas, Copa, nova classe média. Me sinto bem em fazer parte de tudo isso e torço para que o país cresça e se desenvolva conscientemente sem dar passos maiores que as pernas.
Enfim, a Europa é linda, Londres é incrível, mas eu sou brasileira e amo toda nossa enorme diversidade.