quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

God Save The Wikileaks!


Espião ou Fonte, Wikileaks é nova forma de divulgar informações

Assim como Gutemberg revolucionou a imprensa com a técnica da tipografia, Julian Assange e seu Wikileaks mudam a maneira de receber, editar e fornecer informações a imprensa e ao grande público.
28 de novembro de 2010 foi o dia que a organização Wikileaks iniciou a divulgação de 250 mil documentos oficiais que afetam diretamente a diplomacia americana. Desde então, o gigante do norte tem se esforçado na tentativa de parar a divulgação e de prender o fundador da organização, Julian Assange.
Contas bloqueadas, mais de 100 mil euros perdidos. Companhias de cartões de créditos responsáveis pelo serviço de doações ao site pararam de operar impedindo ajuda financeira dos adeptos para “manter a organização forte” – slogan que aparece na página inicial do site. Medidas inúteis, o Wikileaks continua na rede com mais de mil endereços que podem ser acessados por qualquer pessoa.
Assange, australiano de 39 anos foi detido em Londres após se apresentar a polícia britânica. A acusação contra ele é de estupro na Suécia, mas a motivação política para que ele seja detido vai além desta acusação. Independente de sua prisão, a organização afirma que as divulgações vão continuar até que todos os documentos sejam revelados.
O trabalho desenvolvido pelo Wikileaks se encaixa perfeitamente nos padrões da imprensa digital dos dias de hoje: rapidez atrelada à enorme quantidade de informação. Explico: se antes da internet, as fontes tratavam diretamente com o jornalista, de forma anônima ou não, fornecendo informações preciosas de interesse público, a forma de operar do Wikileaks corresponde a este mesmo padrão só que ao invés de uma única fonte, são inúmeras, provavelmente de dentro do governo americano que fornecem informações oficiais e têm o sigilo de suas identidades garantido pelo anonimato da rede, desta forma como é maior a quantidade de fontes é também maior a quantidade de informações.
A opinião se divide entre espião ou fonte. Fato é que a organização é prato cheio para jornalistas que dispõem de informação oficial à distância de poucos cliques. Assange rebate as acusações de espionagem dizendo que espião é aquele que trabalha para conseguir material e repassar a estrangeiros. Os documentos divulgados pelo Wikileaks são fornecidos por livre e espontânea vontade de seus colaboradores. Esse material não é passado exclusivamente a um único governo ou entidade e sim para imprensa, que por sua vez edita parte da documentação mantendo informações de interesse público inalteradas.
Transparência nunca foi característica das relações diplomáticas e não se sabe qual é a principal motivação do australiano bom de cálculos, mas no que diz respeito ao jornalismo, o Wikileaks casa a tecnologia do digital aos princípios do impresso - análise de dados- inaugurando uma nova forma de divulgar informações.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

charada sem graça




chega junto com a noite
vira e revira o travesseiro
xinga a camisola de inútil,
faz coçar o tornozelo

não sente piedade do dia seguinte
agora são exatamente 4 e vinte
alimenta-se da horas calculadas,
será que resolve se eu ficar pelada?
idas ao banheiro, copo d'água natural
filme tosco na TV, tipo Macunaíma em Portugal


eu sei lá o que fazer
já tô cansada de você
já te mandei embora
mas você é incoveniente
não fala, não grita, só sente

melhor não lutar
olhar o relógio só faz piorar
talvez ler e escrever... relaxar

Guimarães Rosa devia ser seu amigo
escrevia na noite, inventava neologismos
E Soroco? Te arrancou risos?
se sim, você não entendeu nada...
soulocosoulocosoulocosouloco

nao entendo de métrica e também não muito de rima
só queria mesmo dizer q não gosto da palavra lima
com todo respeito, meu total apreço por Bilac,
e meu completo desdém aos usuários de prozac

e o que sei eu das coisas?
só sei que elas existem e estão por aí
nao sei a regra dos decassílabos brancos
talvez eu descubra em Maragogi ííí

de regra já basta o batom,
a obrigação do voto.
numa sala de 30 alunos,
27 têm pais separados
e todos passeiam de moto

sua visita me rendeu isso
agora eu vou pra lá
ouvir o vento, olhar o céu
fumar um cigarro e esperar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

novas direções e os clichês


Desde o final dos anos 90 venho me metendo em enrascadas amorosas. Fazendo as contas são mais de 10 anos de muito enrosco e o saldo de um único amor. É engraçado como no auge do retorno de saturno e eu perdida sem saber muito bem qual caminho profissional seguir, aceitando fazer qualquer frila pra entrar uma grana, os enroscos amorosos continuam e me deixam mais sem rumo ainda.
Agora já estou praticamente com a decisão tomada de ir viajar no começo do ano, só por alguns meses, acho que vai ajudar a clarear minha cabeça. Aquela coisa meio Cristina de saber somente o que eu não quero e não ter muita certeza do que eu quero. Ontem estava passando na banca de jornal e vi uma revista que tinha como manchete principal alguma coisa do tipo "Novas regras para se dar melhor com o seu chefe". Me deu mais ânsia de vômito do que acordar cedo. Como existe uma revista dessas? Como existe público pra uma revista dessas? Preocupa-me pensar que eu preciso encontrar uma alternativa e que não sei muito bem onde procurar, mas pelo menos sei onde não procurar... na Você S/A por exemplo...
Semana passada foi a última semana de um frila que eu fiz de produção. Tive que acompanhar as fotos de um colégio daqui de São Paulo. Além das fotos dos alunos pequenininhos, que foram muito legais de fazer, outra coisa importante foi ter conhecido um fotógrafo super gente boa e talentoso, ele me inspirou.
No início de sua carreira, A. resolveu fazer uma viagem fotografando tudo e todos. Na volta, bateu de porta em porta de jornais e revistas pra publicar suas fotos, nunca havia publicado uma matéria e isso foi uma dificuldade porque os editores queriam as fotos junto com texto. Aí ele sentou um dia e escreveu a tal matéria pras fotos da viagem. Foi publicada. Depois disso ele deslanchou, continua fazendo as viagens de tempos em tempos e fotografando aqui e acolá. "Aqui no Brasil as pessoas têm mania de achar que tudo tem que acontecer rápido, cedo. Não é bem assim, na França um fotógrafo de 60 anos ainda está aprimorando seu trabalho, não é uma coisa consolidada". Sorri aliviada. Ao mesmo tempo a ansiedade cresce: o quanto antes for iniciado o caminho que queremos seguir pro resto da vida (profissionalmente, claro) mais tempo teremos para aprimorar essa coisa, o caminho está totalmente atrelado a vida.
Não sei ao certo até onde é verdade essa história de talento... será que existe mesmo talento ou ele não passa de técnica e velhice? Quanto mais tempo você sabe a técnica de alguma coisa, mais você consegue expandir essa técnica, brincar com ela e produzir coisas denominadas "talentosas". Por outro lado é um tanto quanto cético dizer que não existe vocação, talento. Deve existir né? Vai ver que só o meu ainda não apareceu. Poxa, mas e aí o cara que corta cana no nordeste? O talento dele é cortar cana? Claro que não... o talento dele pode ser pintar quadros por exemplo, mas ele nunca descobrirá porque vai ser obrigado a cortar cana durante toda vida pra dar de comer aos seus cinco filhos. Hum... então se é assim, o talento/vocação é uma coisa elitizada? Só aparece pra aqueles que têm condições de frequentar escola, viajar, ter acesso a arte... é isso então? Complicado.
Mas este post começou falando das enroscadas amorosas, eita! Bom, só pra não perder o gancho vou dar uma pincelada nisso. Há mais de dez anos eu tive um romance (ai, q brega!) com um carinha aí... nunca deu certo e até hoje eu não sei bem o motivo, ele gostava de mim, eu gostava dele, mas a gente nunca ficou junto... ou ele estava namorando ou eu. Nunca perdemos totalmente o contato e vez ou outra nos encontramos. Encontrei ele no sábado e o que eu posso dizer é que o day after não compensa o momento. That's sucks... o pior é que existe a coisa do romantismo, o amor que nunca se concretiza e tal, bem a la Lancelot e Guinevere. E aí fica aquele sofrimento... coitados, me lembro de um professor do cursinho falando que coitados são aqueles que foram vítimas do coito. Todos os coitados sofrem de amor basicamente, eu resumo assim. Deixa pra lá... the shadow of the day...
As novas direções? Ah, o ano tá no fim... meu passaporte tá em dia... tô planejando. Uma coisa peculiar deste ano foram os vários reencontros, foram tantos e com pessoas totalmente distintas que fico tentando dar um significado para cada um deles. Vai ver o significado é do todo e não de cada. Vou pensar melhor pra falar sobre.
Acabo por aqui, o telefone toca. Talvez este post tenha ficado sem pé nem cabeça, mas só vou ver depois. Queijos!

domingo, 12 de setembro de 2010

gramofones


Chegaram na semana passada. Lindas, vermelhas e grandiosas. Deixaram todos extasiados com sua beleza e esplendor. Imponentes, mudaram o ambiente deixando-o mais vivo e alegre, a ponto de dividir o tempo em antes e depois delas. Não houve economia de elogios, registros, longos olhares acompanhados de bem querer.
Sensação de que se pode tocar a felicidade. O simples é belo, perfeito, estupendo!
Nasceram depois de um ano e vieram logo em 12. Não sei seu nome então as apelidei de gramofones. Nasceram com o único propósito de trazer beleza. E eu sei quem as mandou.
Apenas uma semana. Agora, 4 delas estão praticamente mortas. Tristeza. Desapego.
Sim, eu sei, restam 8. Nao é a mesma coisa. Chegaram juntas, deveriam ir juntas... não? Não. Não é assim que funciona, chegamos sozinhos e vamos sozinhos, quase sempre.
Ao longo do caminho nos relacionamos, amamos, nos apegamos, desapegamos.
O laço maior é interior, uma ligação mística com o que chamam alma. Seguida pela ligação entre alma e a força maior que tudo cria, que tudo renova. Se não, tudo seria tripas e entranhas. Tudo. Estômago, fígado, movimentos peristálticos, bile.
A máquina perfeita e incrível. Fora do comum pensar no esforço que é levantar um dedo, piscar um olho, esticar a panturrilha. Tão curioso também é sorrir, chorar, espernear. Sentir.
Aqui jaz os gramofones lindos. Efemeridade fulgaz e arrebatadora. Obrigada.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

um monte de coisa


Ainda bem q saí de SP! Secura sem fim! Umidade do ar baixíssima em uma das cidades que nunca dorme. Bebe-se água, bebe-se mais e a sede continua! Meu nariz sangrou ontem... é, o negócio tá pra dança da chuva e mandinga.
Mudança brusca de tempo, mudança brusca também em minha vida: depois de seis anos sou uma pessoa solteira. Pela primeira vez em muuuuito tempo estou praticando fazer as coisas por eu mesma e não pelo o outro. Chega uma hora no relacionamento que ou as coisas mudam e tudo se renova ou a acomodação toma conta de tal forma que perde-se o sentido de renovação... é complicado. Acho que não sou muito boa pra falar sobre relacionamento homem/mulher. Um amigo me perguntou o motivo da separação e eu resumi em pouquíssimas palavras (mania de jornalista de cortar palavras?) sei não... talvez um pouco disso, um pouco de vergonha de estar solteira depois de 6 anos, é cara... depois de um tempo as pessoas passam a cobrar que alguma coisa mude na sua vida amorosa! Enfim, sei que ele me sugeriu falar sobre isso aqui no blog mas em forma de narrativa e em terceira pessoa... é umas né? Um dia, um dia.
Andei meio sumida mesmo, essa coisa toda mexeu comigo. Até mesmo quando o fim é iminente, quando acontece muita coisa muda, toda uma rotina muda. Caí na balada, comecei a ver uns cursos e estou pensando em mudar de profissão. Vou continuar a escrever porque isso é necessidade. Se bem que a minha assiduidade precária não me dá moral pra falar sobre letras. O lance é que preciso de uma coisa mais estável e que pague minhas contas.
Vida de solteira não é fácil não, viu? Boa parte das minhas amigas estão em um relacionamento estável e outra parte já tá tão acostumada a solteirice que nem faz questão de sair na sexta à noite. Nossa! Que deprê me deu esses dias de ficar em casa na sexta. Eu olhava pela janela, os prédios em torno me olhavam de volta, fumava um cigarro, ouvia um Pixies pela milhonésima vez... aí bateu aquela vontade de falar com alguém, chamar pra sair, dar uma volta e tal... esse dia específico eu tava na paranóia delirante de uma pessoa. Fiquei me remoendo pra procurar o tal, escrevi uma mensagem umas 10 vezes e apaguei... aí quando notei que não teria paz se não tentasse um contato, mandei a mensagem. Tive resposta e depois uma ligação. A conversa foi ótima, é uma pessoa muito querida, no entanto, acabei nem encontrando o ser... melhor deixar pra lá, era só sarna e coceira boa pra mim é só a da mão que chama dinheiro!
Hum, que mais? Poxa essa coisa de ficar sem escrever é ruim viu, a gente perde a prática... igual ficar sem fazer exercício físico e aí depois de um mês ir no parque dar 4 voltas.
Quase morri esbaforida. Arranquei meu siso, tive que ficar uma semana de molho tomando sorvete (descobri o de milho verde! Uma delícia) e aí fiquei sem fazer atividade física. Mais ou menos na verdade, como estou sem carro, rodo pra cima e pra baixo de transporte público e ando um tanto também. Ontem resolvi ir no parque pra quebrar esse jejum da serotonina pelo exercício. Fiz logo uma playlist nova e dei as 4 voltas. Animal!
Tenho andado ali pelos lados de Pinheiros, tô vendo umas paradas lá. Outro dia, depois de alguns cafés, saí da Casa das Rosas e fui até as Clínicas, desci a Teodoro. Gente, como é legal observar os transeuntes da cidade. Passou um cara por mim com um xaveco jóia: " - Você não é revista, mas é capa". Adorei! Eu nem tava mal humorada esse dia, mas se estivesse com certeza abriria um sorriso na hora. Não pela carência, mas pela criatividade. Cultura de rua é bom demais, sô!
Nessa mesma pegada fui ver uma exposição (ainda deve estar em cartaz) de um artista plástico americano, Keith Haring, amei! Arte peculiar dos anos 70, marcada pela contra-cultura, vi muita coisa com aquela técnica de estampa (silkscreen), que eu particularmente adoro, cores e formas lindas, uma coisa meio quadrinhos. Bem legal. Vendo a arte dele pensei logo em uns 3 cartunistas que vieram depois...
Tava pensando, acho que os jovens hoje são mais caretas, não? Lá nos anos 60, 70 era um tal de maconha, heroína, cocaína, outras "ínas" e susbtâncias entorpecentes usadas pela classe artística e tanta novidade surgiu... me parece que a produção de arte era mais original... ai que medo de falar sobre isso e gerar uma interpretação de apologia às drogas...NÃO! Sem essa... é que não sei, acho que antes os artistas tinham mais inspiração, não sei se era causada pela opressão de um regime ditatorial como no caso do Brasil por exemplo, ou pela descoberta do LSD combinado a guitarras de Jimmy Hendrix e a guerra do Vietnam nos EUA. Só sei que hoje, parte da produção artística me parece meio... meio... copiada. Artistas utilizam referências para seus trabalhos, eu sei. Mas não é isso... às vezes fico com a impressão de que a criatividade de hoje é um pouco... putz que palavra usar? Um pouco... copiada mesmo.
Talvez isto aconteça devido a quantidade massiva de informação, mas por outro lado, esse "acesso a tudo" não deveria fazer com que tivéssemos mais referências? Será que a mistura de referências toscas e elevadas deixam parte da cultura contemporânea com essa cara de cópia meia boca? O cara da banda Restart falou ontem que eles são os novos Beatles! Claro que existem coisas boas com estética original e bela, Beatriz Milhazes é de tirar o fôlego! Mas às vezes fico com essa impressão da cópia e da eterna volta ao passado. Quer coisa mais na moda do que cultura vintage? Eu mesma caio na fogueira falando aqui de Jimmy Hendrix e Tropicalismo.
Outra coisa da moda: ser saudável! A galera hoje quer viver até 100 anos, e meu... eu me pergunto: pra que??? Aí fica essa idéia de vida saudável sendo vendida a rodo em toda esquina: coma alface, tome vitamina Z e prolongue sua vida. Li outro dia o Pondé falando que o legal da vida é tomar vinho, fumar, fazer coisa proibida...isso tem pé pra mim! Legal trocar carro por bicicleta, legal também fazer exercícios e comer bem, mas poxa, me deixa fumar meu cigarrinho em paz... me dá minha Cynar na sexta vai. Isso é vida também!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Trecho

"(...)Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas(...)."
Trecho do livro Memórias de MInhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Frenemies

Sensação horrível esta de olhar para trás e ver pessoas que você sempre considerou queridas e amigas simplesmente te deletarem da vida delas. Peneira da amizade.
Um dia sem motivo algum seu "amigo" acorda e resolve que não é mais seu amigo. Resolve sem justificativa alguma que não vai te ajudar em nada, mesmo se puder, pelo simples fato de que resolveu que não é mais seu amigo.
O irônico disto tudo é a futilidade, o quão rasas as pessoas podem ser. Quando você está numa boa, cabelo brilhante, roupa da moda, viagem pra Europa, muitos amigos aparecem. Todo mundo quer saber de você, o que você faz, com quem você anda, marcar encontro, nossa! Mil e uma atividades. Aí vem uma fase que você fica por baixo... e é aí que os falsos amigos se revelam. Parece que eu tô especificamente mordida com alguém e na real eu tô mesmo! Só não postei a frase "Quanto mais eu conheço os homens, mais eu gosto dos meus cachorros" porque eu não tenho cachorros, ainda.
Vai ver eu sou muito ingênua e gosto demais de gente, GENTE-GENTE, que fala com pequenas atitudes, que vê beleza em detalhes e na simplicidade. Isso descreve gente, o resto são robôs condicionados a informação massiva e a propagandas de cosméticos. Enfim, voltando... gosto demais a ponto de acreditar na bondade natural do homem, às vezes é bom lembrar Hobbes e crer que "o Homem é o lobo do Homem", infelizmente o meio transforma o Homem e seus valores. Os robozinhos não têm culpa! Triste deles que não sabem ver beleza em um cachorro se espreguiçando ao sol.
De qualquer jeito não pretendo parar de ajudar as pessoas e a gostar delas, this is who I am. Sinto pena dessas pessoas mesquinhas que vivem de sugar o sucesso dos outros, que possuem uma inveja tão devastadora que chega a transbordar. Haja espiritualidade para afastar tanto mau olhado! Saravá!
Estou frequentando o centro espírita, na verdade fui uma vez só e me fez um bem enorme... senti que deixei duas toneladas lá e com certeza muita energia negativa que despejaram em mim ficou por lá.
O negócio é que as pessoas, muitas vezes, não invejam o próximo conscientemente... a inveja simplesmente brota, é um sentimento incontrolável. Quem nunca sentiu inveja que atire a primeira pedra em Sakineh.
Não tenho a mesma autoridade de Zuenir Ventura para falar sobre inveja, mas posso dizer que depois de ler o livro dele (cadê meu livro da Inveja - Mal Secreto???) concluí que não existe inveja boa. Talvez o mais próximo disto seja a admiração... mas aí não é inveja, é admiração.
É muito estranho ver a amizade virar desprezo. Ainda bem que não tenho muito conhecimento de causa, na real tenho muitos amigos que mesmo apesar da distância física eu sei que posso confiar e dar risada das coisas mais bobas possíveis.
Sou tão sortuda que tenho ainda o que eu chamo de "amigas porto-seguro", estas estão em outro patamar e me garantem amizade incondicional, verdadeira e próxima. Sem isso eu não seria eu, sem isto eu não saberia o verdadeiro significado de ter amigos, sem isto a peneira seria furada e muitos frenemies disfarçados de leite, consegueriam passar através sendo que na verdade são nata, nata de leite gordo ainda. Se tem uma coisa que eu acho nojenta é café com leite e nata! Argh!
Um salve a amizade!!!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

São Tomás Douradinho

Não precisam mais se preocupar com o que os outros pensam.
A rotina rupestre: plantar, arar, colher,
Faz com que pensem por si próprios.
Agora, e só agora, conseguem enxergar o grande segredo:
Simplicidade, empatia, amor.
Levarão apenas aquilo que irradiam.

Se antes vestiam relógios e rostos sisudos,
Agora contam o tempo pelo sol e seus olhos cintilam
ao bater de asas das andorinhas.
Pulmões já não sentem mais falta de fumaça,
O fogão a lenha libera aroma que aguça os sentidos.

Os montes, as flores e o rio estão ali.
Se para Caeiro isto é Deus,
Talvez para eles também seja.
Não pensam sobre isso,
Pensam sobre a colheita.

Á beira do riacho fazem amor,
sem consciência de que o que fazem é poesia.
Comunicam-se pelo olhar com facilidade,
E vez ou outra pelo pensamento.
A sintonia harmoniosa permite tal privilégio.

Se antes o programa de auditório da TV lhes dava gozo,
Agora apreciam e se encantam com o nascer do sol.
Sentam-se à mesa para todas as refeições,
Ela coloca flores no vaso todos os dias,
Ele leva leite fresco para a ambrosia.

Ele talhou a madeira
Ela pintou as letras
da placa da entrada que diz
"Fazenda São Tomás Douradinho"

Deram sentido a tudo que antes não tinha.
E cada vez que ela inclina a cabeça pro lado e joga os cabelos,
A alma dele sorri.
E cada vez que ele abre e fecha os olhos e coça o ombro esquerdo,
A alma dela sorri.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Doce de Coco

Doce de coco, tequila com limão, passeio na contra-mão.
Excesso de saliva é sintoma do muito querer, a vontade saciada
esvazia a mente por um longo minuto que parece nunca padecer.
O eterno é pra sempre, pra sempre é muito tempo.
Conceito relativo, enruga a pele e passa rápido ou lento.

Enquanto a borboleta bate as asas alguém morre no Haiti.
Doce de coco é bom e também Salvador Dali.
Relógios moles derretem minutos e horas, ninguém percebe a aurora.
A companhia de Baco faz os loucos se perderem entre o delírio e o real.
Alimentando-se tão somente de prazer, seria instinto animal?

sábado, 10 de julho de 2010

Don't fugere urbem!


Ontem almocei um suculento filé a parmegiana no Marajá. A primeira vez que comi lá foi há alguns anos com uma amiga que dizia maravilhas do tal parmegiana e complementava falando que o lugar parecia o restaurante da Dona Florinda. Essa segunda informação foi crucial pra me convencer a ir até o centro por um pedaço de carne.
Na época essa amiga era advogada e frequentava o bar/restaura nos dias da Pendura, - Pendura pra quem não sabe é o dia que os advogados e homens da lei decidem que vão comer de graça, "pendurar a conta", nos restaurantes da cidade. Era um hábito que vigorou até meados de 2000 -, não sei se ainda existe dia da Pendura. Vou perguntar pro marido da minha amiga, que ao contrário dela, ainda é advogado.
Hoje eu acho legal dar uma volta pelo centro, comer em algum lugar roots (desde que não seja feijoada ou churrasquinho grego). Não tenho mais tanto medo como eu tinha nessa época aí em que fui pela primeira vez ao Marajá. Antes eu ficava com a sensação de que a qualquer momento poderia surgir um louco cheirado de cola, enfiar uma arma na minha cabeça e me pedir pra passar tudo. Isso nunca aconteceu.
A metrópole desenvolve esse medo em seus habitantes, um pânico coletivo que faz a gente andar com vidro fechado, segurar a bolsa e ficar sempre atento a tudo que acontece ao nosso redor.
O engraçado é que nunca fui assaltada na cidade. Minto! Fui uma vez, mas foi uma tentativa frustada. Eram 07h00, estava indo pra faculdade a pé quando apareceu um carinha com a mão no casaco me pedindo pra passar o celular. Se eu não estivesse com tanto sono teria me assustado mais... passei o celular. O carinha olhou, olhou de novo, virou pra mim e falou:- Não tem câmera! Pode ficar com esse lixo! Anda, sai daqui e se chamar a polícia, você tá f%*!
Fui andando pra universidade com o coração acelerado, enquanto eu caminhava o sentimento de raiva ia aumentando gradativamente... além de ter me assustado o cara não quis meu celular porque não tinha câmera! Os assaltantes do século XXI não querem só a massa, querem um bolo de chocolate com recheio de doce de leite e uma cereja em cima! Bolo da Dior, claro!
A contradição é que assalto de verdade eu sofri na Barra do Sahy. Uma praia linda e tranquila no litoral norte de SP. Eram 11h00, estávamos eu e mais duas amigas indo a pé para praia. Ali na pontezinha do Sahy/Baleia chegou um cara, falou que era um assalto, mostrou a arma pendurada na bermuda, pediu o relógio da Mar, nosso dinheiro e falou: - Boas ondas!
Minha amiga estava com a prancha... "boas ondas", sem comentários.
Depois desse assalto na praia eu relaxei na cidade, aos poucos fui deixando o medo de lado para dar espaço aos encantos da urbe: graffiti, rap, gente de tudo quanto é jeito, rua só de vestidos de noiva, rua só de instrumentos musicais, rua só de eletrônicos... coisas e lugares que antes me davam medo agora exercem fascínio sobre mim. Será que vale a pena demolir o Minhocão?
Relaxei tanto nas cidades que esqueci de trancar a porta do hotel na minha primeira noite em Bangkok. Esqueci não, esquecemos. Eu a crazy da Car. Também pudera, estávamos tão cansadas que quando entramos no quarto simplesmente desmaiamos na cama.
Foi estranho, no meio do sonho eu comecei a ouvir a Car gritar : - What are you doing here, what are you doing here??? E aí me dei conta de que não era sonho, era realidade. Abri os olhos e vi um cara agachado olhando o quarto inteiro, comecei a gritar como se estivesse morrendo esfaqueada. Desespero. O cara saiu correndo.
Foi um dos maiores medos que eu senti num curto espaço de tempo. Primeiro veio o pensamento de "o que ele vai fazer com a gente?" depois de "pelo amor de Deus não leva meu passaporte!" e depois ele saiu correndo e... aiii que raiva!
Rodamos a baiana no hotel, que era em plena Khao San Road - rua famosa por ser ponto de encontro de mochileiros e muito similar a paulistana 25 de março -. O pessoal da recepção não ligou muito, parecia que era a quilhonésima vez que isso acontecia ali.
Mudaram a gente de quarto e só. Disseram que não tinham total controle sobre o entra e sai de hóspedes porque a galera que fica no hotel geralmente sai de noite e volta só de manhã, muitas vezes com companhia. Anrã! E as câmeras em todos os andares? Decidimos deixar pra lá, não tínhamos outra alternativa, o hotel era bom, as massagistas eram incríveis e só ficaríamos mais duas noites ali. O vacilo foi pegar quarto no primeiro andar e esquecer a porta aberta. Depois chegamos a conclusão de que o ladrãozinho foi testando porta por porta até encontrar a nossa aberta.
Fomos para o Float Market pra tentar esquecer o episódio e não ficar em pânico a viagem inteira, afinal, estávamos salvas, com nossa bagagem intocada e na Tailândia! As outras duas noites checamos a tranca umas 400 vezes e mesmo assim deu um medinho antes de dormir. Depois descemos para as ilhas e desencanamos totalmente de trancas, buracos e pokers.
Gosto muito dessa ideia de revitalizar o centro de São Paulo. Façam mesmo as baladas ali nos arredores da Sé, vamo aí comer no Marajá! Quem sabe assim a beleza escondida pelo crack consegue ressurgir.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Só um biscoito vai, só unzinho, dane-se dá aqui o saco inteiro!


É então, it's been a while... aquela coisa de sempre né? Disciplina. Coisa chata essa história de disciplina, pior ainda quando você cresce e toma plena consciência do quão indisciplinada é e aí tenta drasticamente tornar-se uma pessoa disciplinada. Oito ou oitenta. Sempre.
Nunca gostei de academia, pessoas se olhando no espelho e fazendo pose e estufando o peito e murchando a barriga. Puta coisa ridícula. Narcizismo exagerado combinado a guerra fria de quem fica mais forte. A contradição é que durante muito tempo eu frequentei academia. Pura praticidade. Ia numa bem perto de casa, se eu tivesse que pegar carro aí que não ia mesmo. Não fazia musculação porque era onde se concentravam grande parte das pessoas que eu descrevi acima. Fazia as aulas. Bike, ioga, localizada, etc etc. E mesmo assim, se deixava de ir numa terça-feira não ia mais nenhum dia da semana. Indisciplina. Mesma coisa com regime, se como um pedacinho de chocolate já era, deixo pra começar o regime amanhã e no amanhã quase sempre acontece a mesma coisa. Cigarro então... meu máximo foi uma semana sem, agora estou novamente tentando parar e hoje é meu primeiro dia. Já tô doida pra acender um assim que terminar esse post.
Fraqueza né? Só pode ser fraqueza, porque não consigo perseverar e fazer aquilo que sei que me faz bem? Tenho uma admiração tão grande por pessoas disciplinadas. Meu irmão é super esportista, magro e tals e nunca, nunca, religiosamente põe nada na boca depois das 19h. Ok, de vez enquando ele pede uma pizza super ogra e lava a alma, mas assim, bem de vez enquando, digamos que o Brasil precisa ganhar de no mínimo três pra ele fazer tamanha loucura, mas não vou falar de Copa por enquanto.
Essas pessoas, as disciplinadas, devem atingir o nirvana quando fazem algo fora de suas regras e isso deve compensar a disciplina. Isso e o fato de ver a evolução que uma mudança de hábito causa em suas vidas.
E essa coisa da disciplina deve ter a ver com o retorno de saturno também, se até os quase trinta você foi uma pessoa indisciplinada, sempre fez o que bem entendeu de sua vida, comeu sempre o que quis, depois qualquer coisa era só ficar uns três dias sem comer muito que já resolvia, surpresa! Aos 28, 29, 30 essa mágica já não funciona mais. O corpo demora mais pra se recuperar de uma bebedeira, três dias sem comer, de nada adiantam para o vestidinho justo que você quer usar na festa. Surge a cobrança por ter feito 2 faculdades pela metade antes de decidir que profissão queria seguir e por ter ficado fora quase dois anos da sua vida morando em outro país e viajando por aí enquanto as pessoas da sua idade ralavam num ambiente corporativo para construir suas carreiras.
Hoje uma mina de seus quase trinta tem muito mais experiência de trabalho do que eu e está em outro nível da carreira, ganhando um dinheiro legal, pensando em filhos e numa segunda lua de mel com o marido. Em compensação eu já fui pra Micronésia. Putz, posso estar penando, passando por um deserto gigante sem cachorro, filho e marido e sem uma única gota d'água, mas não me arrependo das minhas escolhas. Paciência se achava que psicologia ou turismo eram a minha praia. Talvez até fossem e a indisciplina tenha me levado a outro caminho. Não importa... vivi coisas bem interessantes nos últimos dez anos que me fizeram ser quem eu sou hoje. E quem eu sou hoje? Sei lá, talvez saturno saiba! Sei que tenho um coração grande e que sempre que puder vou ajudar quem precise e que posso ser terrivelmente teimosa.
O que eu queria mesmo dizer é que sou muito feliz por ter vivido as experiências que vivi, especialmente as viagens.
Nunca vou me esquecer do meu último dia na ilha de Ko Tao. Pegamos um ônibus, que na verdade mais parecia um caminhãozinho onde as pessoas iam entrando e gritavam quando queriam descer. Estávamos só nós três indo para o píer, e aí entrou esse tio no ônibus. Uns 45 anos, rosto enrugado, pele morena e roupa rasgada. Perguntou de onde éramos em inglês e começou a puxar assunto. Falava inglês muito bem comparado ao resto da população local... não sei bem em qual momento da conversa ele comecou a falar de religião, maioria budista na Thai, sua origem chinesa e seu não gostar pelo presidente dos EUA: "he like make war, i like democracy". Depois escrevi para uma amiga falando:"R vc acredita nisso? Nossa me arrepiou inteira, não so pelo fato de eu tb não gostar de George Bush, mas por td... ele disse a palavra democracia!!! No fim do mundo, dentro de um caminhaozinho e de roupa rasgada. E a conversa toda foi mto interessante. Ele saltou do busao antes de chegarmos ao píer... fikei olhando ele ir embora e pensei q vivo minha vida para ter momentos como esse... acho maravilhoso as coisas q as pessoas tem pra contar...acho fascinante esbarrar com pessoas personagens pela vida". Enfim, essa passagem ilustra melhor que qualquer coisa que eu possa falar à respeito de experiências vividas versus horas no escritório respirando ar condicionado. Graças a minha indisciplina. Nesse caso saudável, no caso do cigarro não.
Hoje finalmente fui ao médico e arranquei uma bolota que eu tinha na perna (cisto sebáceo). Cara, tava com a bolota há uns três anos ali. A micro-cirurgia foi super simples, durou uns cinco minutos. Não vou contar aqui porque foi bem nojento... lembrei de uma amiga que adora espremer cravos e espinhas. Me senti tão bem quando saí de lá sem a bolinha. Deveria ter ido antes... Quem sabe agora eu não me motivo a parar de fumar.
Brasilzão u-hu! Três a um bem bacana.

terça-feira, 1 de junho de 2010

E desgraça meu bem, vende!


Tá frio né? Hoje foi o dia mais frio do ano em São Paulo. O termômetro chegou a marcar 13 graus!
Tempo bom pra beber chá, café, tomar uma sopinha... hummmm, dá uma preguiiiça de sair na rua e uma vontade enorme de assistir muitos e muitos filmes.
Domingo não estava tão frio, mas eu acordei com uma dorzinha de garganta chata e acabei ficando em casa quase o dia todo, tomei um chá daqueles vick pyrena e capotei.
Não sei se foi o chá, a noite de sábado mal dormida ou os dois que me derrubaram. Só sei que eu comecei a ver um documentário sobre Nelson Mandela e dormi. Quando acordei o filme já estava no final, droga! Perdi a chance de saber mais sobre essa pessoa admirável. Acabar com o apartheid, isso sim é fazer alguma coisa com significado na Terra.
Tudo bem, perdi o doc do Mandela mas acabei assistindo This is it. Nossa fiquei mal, chorei, pensei em tanta coisa... me deu um pouco de revolta do mundo. Devorei o filme, os extras e tudo que o Kenny Ortega ofereceu. Quem não viu, veja!
O filme mostra os bastidores do show que seria o último de MJ. A coisa ia ser super, mega, hiper. Enfim, não vou ficar fazendo resenha porque o que quero falar foi que fiquei extremamente tocada com a personalidade tranquila e carinhosa de Mike (brother). Mais do que rei do pop, um artista único, talentosíssimo e que assim como Nelson (brother 2) também deu sua contribuição para o mundo.
Massacrado pela mídia. Foi isso que me revoltou... ao longo do filme fui ficando emotiva lembrando as famigeradas notícias sobre MJ e crianças. Ódio! No fim eu já estava tão emocionada que cheguei a conclusão de que foi a mídia que o matou. A imprensa o deixou louco com tanto assédio e notícias duvidosas que a loucura desencadeou em doenças e depois à morte. Óbvio que o cara devia ter predisposição à loucura (é só olhar o histórico da infância dele) e esta foi elevada ao cubo com sucesso e assédio.
Vai-se Michael ficam seus eternos hits, mensagens de amor e cuidado com o planeta e a noção do quanto a mídia pode ser cruel a ponto de destruir reputações de pessoas inocentes. É preciso vender... e desgraça meu bem, vende! E muito bem.
E a Escola Base, hein? Aconteceu em 94. Vários veículos deram a notícia de que o perueiro da escola levava crianças para serem abusadas (durante o horário de aula) na casa de um casal. Depois por falta de provas o caso foi arquivado e vários órgãos de imprensa punidos. Como se isso fosse suficiente para apagar a mancha na reputação do casal, do perueiro, da escola... é muita irresponsabilidade... desgraça vende e fede.
Vou simplesmente mudar de assunto porque tá me dando uma sensação ruim igual ao dia do filme. Quem quiser dá um google pra ler mais sobre pedofilia, notícias mal apuradas, desgraças e afins. Tô meio ursinha carinhosa hoje e não quero me estender.
Feriado u-hu. To indo pra praia amanhã, diliça pura. Pode ficar esse friozinho, só não chove que aí estraga meu frescoball.
Sim, a saga do emprego continua... me ligaram ontem pra fazer uma entrevista numa agência de publicidade (minha cara!) em Santana (nossa, do lado de casa!) pra ganhar de quinhentos a novecentos reais (tudo bem vai, eu estudei pra isso mesmo) e escrever textos sobre o mercado imobiliário (2 dormitórios com 72 m² de área útil, próximo ao metrô, no coração de São Paulo). UAU! Preciso dizer que os parenteses são irônicos?
Fiz pavê de bolacha champagne outro dia e ficou delicioso, digno de caixa alta: DELICIOSO! Estou descobrindo o prazer de cozinhar, é muito terapêutico. Misturamos claras e açúcar e vira chantilly! Isso é maravilhoso!
To mais animadinha... bem, aquela coisa, altos e baixos... mas tenho seguido o conselho de uma amiga. Ela disse pra eu olhar dentro de mim. Tenho olhado e acho que estou paquerando minha alma ;)
O ser humano pode ser cruel, mas ainda prefiro acreditar que ele pode ser muito bom, talentoso e querer o bem. Tipo Michael, Mandela... tipo várias pessoas que estão a nossa volta. Chega. Tá ficando muito Pollyana e esse definitavemnte não é meu estilo.
Ah, só mais isso! Genteeee, Israel atacou o navio com ativistas que levavam ajuda para a Faixa de Gaza. Nossa, não sei o que dizer, sério. Fica difícil ser otimista desse jeito. Qualquer coisa que eu fale vai ser eufemismo.
Vou tomar meu chá. Beijo, tchau.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Rivotril


Vamos lá, preciso escrever. Não sei exatamente sobre o que quero falar hoje. Ando meio melancólica, mas isso não é novidade.
Hoje uma amiga colocou no facebook que ela sente falta dos dias em que o sono funcionava com um botão liga/desliga. Algumas pessoas recomendaram calmantes e remédios como Rivotril. Eu recomendei chá de camomila e exercícios.
Li na Trip uma matéria sobre o enorme número de pessoas que tomam Rivotril. Impressiona... e olha que o medicamento só é vendido com receita médica! Outra coisa que me impressionou foi ver a grande quantidade de jovens (na faixa dos 30 anos) fazendo uso desse remédio fortíssimo. A reportagem ainda faz uma abordagem, que eu concordo totalmente, falando que na sociedade atual as pessoas se sentem obrigadas a serem felizes 100% do tempo. São tantas revistas que mostram celebridades em suas belas casas, passando férias em Paris, fica implícito que momentos de tristeza são proibidos, feios, pra gente fraca e pobre! Tipo o slogan de um supermercado:"aqui é lugar de gente feliz". Como já diria Zeca Balero: "Sofrimento não é amargura, Tristeza não é pecado, Lugar de ser feliz não é supermercado".
http://revistatrip.uol.com.br/revista/187/reportagens/super-normal.html
Eu ando meio triste. Não tenho vergonha disso. Nunca fiquei tanto tempo desempregada. Isso me entristece, mas não é por isso que eu vou tomar Rivotril poxa. Desde quando o homem passou a ser tão fraco a ponto de recorrer a drogas sintéticas ao invés de encarar seu problema de frente? Com certeza existem pessoas que precisam desse tipo de medicamento por uma questão de saúde, mas boa parte recorre a droga por pura praticidade.
E pra falar de alguma coisa boa, sábado uma grande amiga volta pra Sampa depois de três meses em Buenos Aires. Não vejo a hora de revê-la! Caramba, o tempo é um conceito estranho e relativo. Parece que ela foi outro dia pra lá e já é quase meio do ano... mais um pouco é Natal. Será que eu vou estar trabalhando no Natal?
Estou pensando em fazer uma pós... Preciso justificar de alguma forma esse meu período digamos sabático (haha) em que eu estou parada e já cogitei tomar Rivotril.
Que mais? Ah, a vizinha nunca mais ouviu a TV no talo. O zelador falou com ela, tudo resolvido.
Pensei em escrever sobre a máquina de lavar que meu irmão deu de aniversário pra minha mãe. Fica pra próxima.
Sem considerações políticas hoje.
Beijos e queijos

segunda-feira, 17 de maio de 2010

tem dias que a noite é foda

Oi. Hoje tá foda. Tô naqueles dias que o mau humor tenta me dominar a todo custo e essa batalha ele praticamente já venceu.
Não posso nem dizer que é só mau humor. Quando na real uma mistura de sentimentos, que não são lá dos melhores, estão tomando conta da minha cabeça. E como eu acho um saco ficar reclamando da vida pras pessoas vou reclamar aqui mesmo já que quase ninguém lê este blog.
Bom, um dos motivos do desanimo é que eu fiz uma entrevista de trabalho na última sexta (14/05). Cheguei lá confiante e feliz. A mulher me perguntou se eu sabia o que/quem era Teresa Perez e eu não sabia. Falei que não sabia mas que pelo porte da agência imaginava q fosse uma agência de turismo voltada para os públicos A e B. Acertei! A mulherzinha me deu mais detalhes sobre a empresa, clientes, roteiros e etc e eu fiquei super interessada. Depois ela me fez mais uma pergunta, eu respondi e no final da resposta ela me disse que a entrevista estava encerrada. A entrevista durou cinco minutos! Muito estranho, foi oficialmente a entrevista mais curta que eu já fiz na vida. E pior, imagino que eu tenha falado alguma coisa absurda pra ela ter me dispensado tão rápido, mas cara... o que será que eu falei de errado? Não faço a mínima ideia. Odeio RH. Podem queimar no inferno por mim.
Não aguento mais não ter trabalho e não ter dinheiro. Sabe, já tenho quase 30 anos e acreditava que quando eu estivesse nessa idade minha vida estaria mais estabilizada. Engano meu. Perdida igual cega em tiroteio, pra usar um chavão bem cliché porque tô sem paciência.
Fui pra praia no fim de semana. Foi uma delícia! Joguei frescoball, namorei bastante, tomei sol, comi torta de abobrinha e várias outras coisas boas. Adorei o fim da novela com a orquestra tocando.
Perdi um pouco o fio da meada... hum... então. Ai gente, sei lá. Marasmo é a palavra. Mudança, minha vida clama por alguma mudança. Não dá mais não trabalhar, não ter dinheiro, não passar nas entrevistas. Puta saco!
Ontem de noite a vizinha do andar de baixo deixou a televisão ligada no volume máximo até as duas da manhã. Foi foda. Eu e minha mãe tentando dormir desde a meia noite e nada. Ainda tava rolando um filme de guerra na TV da mulher, era uma gritaria de pessoas morrendo a facadas, flechadas (fica a critério da imaginação, eu imaginei flechas) pra atordoar cristãos e pagãos.
Minha mãe levantou, gritou: - Abaixa essa televisaaaaaoooo! E nada. Eu depois fui lá, gritei também e nada. Resolvi interfonar no apartamento. Isso já era umas 2h00 da manhã. Nada. Peguei um limão pra jogar na janela dela, mas minha mão não alcançava. Foi aí que minha mãe teve a fantástica ideia de bater com a vassoura na janela da vizinha. Foram necessárias três batidas para que um cachorro latisse. Minutos depois a TV foi desligada. Aleluia. Acho que a mulher acordou com o latido do cachorro e desligou a TV. Rá!
Hoje minha mãe contou a história pro zelador e ele disse que não era possível que a mulher ouvisse a TV tão alto. Minha mãe foi categórica:
- Ok, essa noite se ela deixar ligada eu te chamo pra você ir lá em casa ouvir.
Vamos ver, espero não ter que chamar o João aqui as 2h00 da manhã... mas, se essa for a solução, assim será. Gente, não é brincadeira, parecia que a TV estava dentro do meu quarto! Sem noção.
Mas é isso aí, felizes aqueles que só fazem o que bem entendem da vida, tipo Tim Maia, tipo minha vizinha debaixo que não dá a mínima se o volume tá no talo e atrapalha as outras pessoas a dormir.
Talvez esse anarquismo de atitudes seja bem libertador.
Em tempo: Legal que o Brasil obteve sucesso na missão de convencer o Irã a enriquecer urânio na Turquia. Os EUA não deram muito crédito para para o acordo, mas consideraram um passo positivo. Lembrando que semana passada Hilary Clinton se declarou cética em relação a progressos com a mediação do Brasil. Fica a dúvida se o programa nuclear do Irã é de fins pacíficos

sábado, 8 de maio de 2010

A Europa é linda, mas o Brasil é mais!


Desde criança sempre quis conhecer a Europa. Lembro de mim e uma amiga com uns 13 anos, um mapa da Europa nas mãos. Marcávamos com um lápis vermelho os lugares que iríamos quando completássemos 18 anos. O plano era trabalhar nas colheitas de uva na França e com o dinheiro viajar por vários países. Era um bom plano. Infelizmente não se concretizou. Acabei conhecendo a Austrália e uma parte da Ásia, mas a Europa ainda não tinha dado certo, muito caro.

Eis que em 2009 acabei indo não uma, mas duas vezes ao velho continente.
- “Muito chique!” - Diziam conhecidos, amigos, familiares. Sim, também acho chique! Só que com certeza não teria ido no verão e depois no inverno se não tivesse um namorado que vivesse em Londres e uma amiga que morasse na Itália.

Londres, a cidade que sempre exerceu enorme fascínio sobre mim. E esse fascínio nunca teve explicação, eu sempre quis simplesmente ir pra lá, sem saber exatamente o motivo, eu só precisava... ir. As cidades sempre me encantaram, nunca fui do tipo de paulistana que odeia São Paulo. Sim, porque a maioria dos que moram em Sampa odeiam morar aqui ou gostam de dizer que odeiam. Adoro essa coisa cosmopolita das grandes cidades, a possibilidade de comer um temaki as 03h00 da madrugada e depois ainda encontrar uma boa festa em algum canto da metrópole. Nesse aspecto Londres sempre me chamou a atenção. É, talvez seja por isso que sempre tive a necessidade de um dia ir pra lá, mesmo sem saber que esse era o motivo.

Adorei minha última estada em Londres, foram apenas 4 dias, depois segui para Amsterdam. O charme da cidade no inverno é sedutor. Os casacos, mince pie com vinho de sobremesa, pistas de patinação no gelo. Tudo muito bonito mesmo.

Cheguei a pensar que eu poderia viver lá sem sacrifícios. Hoje, quatro meses depois já não tenho mais essa certeza. O inverno brasileiro é mais verde do que o de lá. Eu gosto de falar português, ler em protuguês, assistir a peças de teatro em português, ouvir Chico Buarque e Cartola caminhando pela Rua Augusta.

E não é só a língua. É a crise também, a Grécia grita por socorro enquanto seu povo descontente com cortes de salários sai às ruas em protesto, mesmo sabendo que não existem muitas possibilidades se não esta para tentar salvar o berço da civilização ocidental. Talvez Espanha e Portugal também estejam a beira de um colapso que tentam esconder. Os britânicos votaram com medo num candidato que ainda não sabem se vai assumir porque não tem maioria no parlamento. Enfim, uma confusão só. Vou sair do Brasil pra ir pra lá fazer o que? O Brasil está decolando (http://www.braziliantvproducers.com/site/texto/Economist_Brazil_Takes_Off.pdf -capa de The Economist do fim do ano passado). Olimpíadas, Copa, nova classe média. Me sinto bem em fazer parte de tudo isso e torço para que o país cresça e se desenvolva conscientemente sem dar passos maiores que as pernas.
Enfim, a Europa é linda, Londres é incrível, mas eu sou brasileira e amo toda nossa enorme diversidade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

conto de chuva


Água no rosto, pasta de dente, bochecho. Para o desjejum uma xícara de café preto, torrada com manteiga e os editorias.
Dia comum. Contra a ansiedade uma volta de bicicleta pela cidade. Já se fazia quase três meses que ele não tinha sexo. Para um rapaz de 22 anos, e para todos os outros homens, três meses é muito tempo. É preciso gastar energia de alguma outra forma. Ele escolheu pedalar.
Na volta para casa, o olhar no cotidiano. O homem que checa o relógio tem barba grisalha e o cabelo começa a lhe faltar. Uma moça bonita de olhos escuros afiados e batom vermelho caminha na direção do homem.
- Vai chover. E eu não trouxe o guarda-chuva.
O céu preto desaba em gotas pesadas. Gabriel também estava sem guarda- chuva. Dá meia volta até a padaria. Acende um cigarro e toma uma coca-cola daquelas da garrafa de vidro. O sol começa a aparecer por entre a tempestade. Ela surge com seus cabelos curtos e ruivos, o vestido rosa-claro molhado colado no corpo, os olhos verdes tentam disfarçar a vergonha do mamilo marcado. Ele sorri.
- Quer um cigarro?
- Não, obrigada. Estou tentando parar.
- Eu também. Ele tira a sola do pé encostada da parede e caminha até ela.
- Prazer, Gabriel. Café? Suco?
- Vou aceitar um cigarro, só até a chuva passar. Juliana.
Então ela puxa um cigarro do maço, coloca entre seus lábios e ele acende concentrado no primeiro trago. É como se nada mais importasse. Como se ele tivesse vivido toda sua vida para ver aquela garota colocar o cigarro no meio de sua boca carnuda e seca. E abrir e fechar os olhos depois do primeiro trago. Nada mais importa. Ela passa a língua nos lábios superiores de uma ponta a outra da boca, é fascinante. Ele sente vontade de puxá-la , de dar-te um beijo longo, mas falta-lhe coragem, afinal, os mamilos ainda estavam marcados no vestido molhado. Seria uma forma de traição ele procurar-lhe a boca pensando nos mamilos. E Gabriel nunca traíra, nem mesmo em nome do instinto. Nunca se propusera a trair a alma para favorecer o desejo do corpo. Era um moço sensível e honrado. Nas horas vagas, além de pedalar, pintava retratos. E nas horas que lhe restavam trabalhava numa agência dos correios.
- Será que essa chuva vai durar muito? Você mora aqui perto?
- ahnnnn, moro, moro sim... estava indo para casa tomar um banho antes de ir trabalhar, quando esse temporal começou e resolvi encostar aqui. E você? Mora por aqui?
A chuva começava a diminuir dando lugar ao sol. A atmosfera era agradável como sorvete de limão no verão e o cheiro das gotas aguçava os sentidos. Sua intuição dizia que o momento estava passando, era preciso agir rápido ou tudo se tornaria lembrança. Mas isso era iminente. Iminência esta que a paixão ou atração pelo sexo oposto sempre teimam em desconsiderar.
- Não, estou de passagem. Falte no trabalho hoje. Vamos ao parque! Podemos deitar na grama e ouvir música. Meu celular tem rádio. O brilho nos seus olhos aumentava a cada pequeno período entre uma frase e outra.
Ele estava sendo testado pelo destino. Quem era essa garota? Qual era o papel dela em sua vida? Aliás, existia algum papel ou tudo não passava de fruto de sua imaginação temperada pela visão dos cabelos molhados e dos mamilos endurecidos? Gabriel estava confuso. Não sabia o que falar. Faltava-lhe saliva. A bituca do cigarro quase lhe queimava o dedo no momento do devaneio.
- Olha...infelizmente não posso me dar ao luxo de ser demitido, preciso da grana do trabalho para fazer meu curso de pintura em Londres. Estou juntando a 3 anos, mais 1 ano e eu consigo.
- Uau! Isso é algo grande! Eu era garçonete de um café na rua de cima. Fui despedida hoje. Dei um tapa na cara de um cliente bêbado que me apertou a bunda. E deu um longo trago no cigarro como se a nicotina pudesse diminuir a humilhação que sentira. A cada trago que Juliana dava, Gabriel ficava mais e mais hipnotizado. Nada mais importava.
- E se fosse eu a te apertar a bunda?
- No meu ambiente de trabalho?
- Não, aqui. Agora.
Juliana arregalou os grandes olhos verdes e deu uma gargalhada.
- Ora rapaz, achei que você do tipo “moço-correto-que-trabalha-para-chegar-a-algum-na vida”.
- E sou, isso não me impede de querer apertar sua bunda.
Ele não sabia de onde surgira a coragem para falar dessa maneira com uma garota tão bonita e que mal conhecia, ele nunca havia falado assim com ninguém, nem com Rosana, sua ex namorada de 2 meses e meio. Mas assim como o momento, as frases tomavam conta de seu ser.
- Fazemos assim então: Vamos até o parque e lá eu decido se você irá ou não apertar minha bunda, feito?
Ela olhou para o lado e viu que não chovia mais. As pessoas começavam a entrar na padaria para almoçar o prato do dia. O vestido de Juliana já não estava mais tão molhado, apenas úmido. Os mamilos não se manifestavam mais. Era outro momento.
É agora. Preciso provar seus lábios. Nada mais importa.
E num ímpeto ele a tomou nos braços e lhe beijou a boca, o queixo, os olhos. Não sentiu vontade de apertar a bunda. Sentia vontade de acariciar o cabelo ruivo e era isso que fazia. Ela correspondia ao beijo, os mamilos voltaram a endurecer. Mas antes do beijo terminar, num movimento brusco, ela se afastou.
- Preciso ir, vou perder o ônibus. Minha irmã disse que vai fazer minhas unhas hoje. E começou a andar num passo rápido. O sol estava a pino.
- Que isso garota? E o parque? E a música? Ele estica o braço para alcançar o dela. Em vão. Juliana lhe dá um empurrão e continua a caminhar apressadamente.
- Não dá. Preciso ir. E acelera ainda mais o passo.
Atordoado ele a acompanha até a avenida.
- Me dá seu telefone então. Onde você mora?
- Não, não posso. Tenho namorado. Me desculpe, não sei porque fiz isso. Por favor me deixe ir. Juliana olha para ele com olhos de tristeza. O verde já não cintila mais. O sol parece esquentar 2 graus a cada segundo. O calor torna-se insuportável.
De longe ela avista seu ônibus e começa a correr. Ele corre junto. Ela sobe os degraus.
- Me procure então! Trabalho na agência dos correios da rua Pamplona!
Ela já desaparecera em meio a multidão de pernas e axilas suadas do Lapa 417 c.