quarta-feira, 27 de outubro de 2010

novas direções e os clichês


Desde o final dos anos 90 venho me metendo em enrascadas amorosas. Fazendo as contas são mais de 10 anos de muito enrosco e o saldo de um único amor. É engraçado como no auge do retorno de saturno e eu perdida sem saber muito bem qual caminho profissional seguir, aceitando fazer qualquer frila pra entrar uma grana, os enroscos amorosos continuam e me deixam mais sem rumo ainda.
Agora já estou praticamente com a decisão tomada de ir viajar no começo do ano, só por alguns meses, acho que vai ajudar a clarear minha cabeça. Aquela coisa meio Cristina de saber somente o que eu não quero e não ter muita certeza do que eu quero. Ontem estava passando na banca de jornal e vi uma revista que tinha como manchete principal alguma coisa do tipo "Novas regras para se dar melhor com o seu chefe". Me deu mais ânsia de vômito do que acordar cedo. Como existe uma revista dessas? Como existe público pra uma revista dessas? Preocupa-me pensar que eu preciso encontrar uma alternativa e que não sei muito bem onde procurar, mas pelo menos sei onde não procurar... na Você S/A por exemplo...
Semana passada foi a última semana de um frila que eu fiz de produção. Tive que acompanhar as fotos de um colégio daqui de São Paulo. Além das fotos dos alunos pequenininhos, que foram muito legais de fazer, outra coisa importante foi ter conhecido um fotógrafo super gente boa e talentoso, ele me inspirou.
No início de sua carreira, A. resolveu fazer uma viagem fotografando tudo e todos. Na volta, bateu de porta em porta de jornais e revistas pra publicar suas fotos, nunca havia publicado uma matéria e isso foi uma dificuldade porque os editores queriam as fotos junto com texto. Aí ele sentou um dia e escreveu a tal matéria pras fotos da viagem. Foi publicada. Depois disso ele deslanchou, continua fazendo as viagens de tempos em tempos e fotografando aqui e acolá. "Aqui no Brasil as pessoas têm mania de achar que tudo tem que acontecer rápido, cedo. Não é bem assim, na França um fotógrafo de 60 anos ainda está aprimorando seu trabalho, não é uma coisa consolidada". Sorri aliviada. Ao mesmo tempo a ansiedade cresce: o quanto antes for iniciado o caminho que queremos seguir pro resto da vida (profissionalmente, claro) mais tempo teremos para aprimorar essa coisa, o caminho está totalmente atrelado a vida.
Não sei ao certo até onde é verdade essa história de talento... será que existe mesmo talento ou ele não passa de técnica e velhice? Quanto mais tempo você sabe a técnica de alguma coisa, mais você consegue expandir essa técnica, brincar com ela e produzir coisas denominadas "talentosas". Por outro lado é um tanto quanto cético dizer que não existe vocação, talento. Deve existir né? Vai ver que só o meu ainda não apareceu. Poxa, mas e aí o cara que corta cana no nordeste? O talento dele é cortar cana? Claro que não... o talento dele pode ser pintar quadros por exemplo, mas ele nunca descobrirá porque vai ser obrigado a cortar cana durante toda vida pra dar de comer aos seus cinco filhos. Hum... então se é assim, o talento/vocação é uma coisa elitizada? Só aparece pra aqueles que têm condições de frequentar escola, viajar, ter acesso a arte... é isso então? Complicado.
Mas este post começou falando das enroscadas amorosas, eita! Bom, só pra não perder o gancho vou dar uma pincelada nisso. Há mais de dez anos eu tive um romance (ai, q brega!) com um carinha aí... nunca deu certo e até hoje eu não sei bem o motivo, ele gostava de mim, eu gostava dele, mas a gente nunca ficou junto... ou ele estava namorando ou eu. Nunca perdemos totalmente o contato e vez ou outra nos encontramos. Encontrei ele no sábado e o que eu posso dizer é que o day after não compensa o momento. That's sucks... o pior é que existe a coisa do romantismo, o amor que nunca se concretiza e tal, bem a la Lancelot e Guinevere. E aí fica aquele sofrimento... coitados, me lembro de um professor do cursinho falando que coitados são aqueles que foram vítimas do coito. Todos os coitados sofrem de amor basicamente, eu resumo assim. Deixa pra lá... the shadow of the day...
As novas direções? Ah, o ano tá no fim... meu passaporte tá em dia... tô planejando. Uma coisa peculiar deste ano foram os vários reencontros, foram tantos e com pessoas totalmente distintas que fico tentando dar um significado para cada um deles. Vai ver o significado é do todo e não de cada. Vou pensar melhor pra falar sobre.
Acabo por aqui, o telefone toca. Talvez este post tenha ficado sem pé nem cabeça, mas só vou ver depois. Queijos!

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