domingo, 12 de setembro de 2010

gramofones


Chegaram na semana passada. Lindas, vermelhas e grandiosas. Deixaram todos extasiados com sua beleza e esplendor. Imponentes, mudaram o ambiente deixando-o mais vivo e alegre, a ponto de dividir o tempo em antes e depois delas. Não houve economia de elogios, registros, longos olhares acompanhados de bem querer.
Sensação de que se pode tocar a felicidade. O simples é belo, perfeito, estupendo!
Nasceram depois de um ano e vieram logo em 12. Não sei seu nome então as apelidei de gramofones. Nasceram com o único propósito de trazer beleza. E eu sei quem as mandou.
Apenas uma semana. Agora, 4 delas estão praticamente mortas. Tristeza. Desapego.
Sim, eu sei, restam 8. Nao é a mesma coisa. Chegaram juntas, deveriam ir juntas... não? Não. Não é assim que funciona, chegamos sozinhos e vamos sozinhos, quase sempre.
Ao longo do caminho nos relacionamos, amamos, nos apegamos, desapegamos.
O laço maior é interior, uma ligação mística com o que chamam alma. Seguida pela ligação entre alma e a força maior que tudo cria, que tudo renova. Se não, tudo seria tripas e entranhas. Tudo. Estômago, fígado, movimentos peristálticos, bile.
A máquina perfeita e incrível. Fora do comum pensar no esforço que é levantar um dedo, piscar um olho, esticar a panturrilha. Tão curioso também é sorrir, chorar, espernear. Sentir.
Aqui jaz os gramofones lindos. Efemeridade fulgaz e arrebatadora. Obrigada.