quinta-feira, 14 de março de 2019

Despertando do coma

É faz bastante tempo, alguns anos. As idéias estiveram sempre borbulhando na minha mente incansável, mas as prioridades tomaram um rumo que nem sei. Não falo apenas das minhas 4 filhas mas também, das mudanças no meu estilo de vida ao longo destes anos... é com muita vergonha que conto que passei muitas horas andando em shopping e torrando meu cartão de crédito como escape para uma vida estressante e que, vez ou outra, me deixa infeliz.
Escrevo isso com culpa, já que é praticamente inadmissível uma mãe confessar que se sente triste de vez enquando. A tristeza não vem dos filhos, os filhos trazem 90% de alegria. Os outros 10% são de choro, birras, comida intocada jogada na lata de lixo e afins. O problema não está nos filhos, está numa sociedade patriarcal que dita que uma mãe não deve se sentir triste. Uma mãe só deve ter motivos pra sorrir, 24 horas por dia, 7 vezes por semana. Uma vez que uma mulher vira mãe ela deixa de ser todo o resto. Ela se torna imaculada. Ela deixa de ser sonhadora, ela deixa de amar a natureza, ela deixa de gostar de sexo, ela deixa de escrever, ela deixa de sair a noite e tomar uns drinks, ela deixa de fazer qualquer outra coisa que a faça se sentir viva... por que? Porque agora ela é mãe e quando ela se torna mãe seus outros 'eus' devem morrer em ordem de conseguir ser responsável por outro (s) ser (eles) humano (s).
Existem muitas mulheres que conseguiram harmonizar seus eus rapidamente e tacaram o foda-se para essa regras estúpidas, obsoletas e onipresentes. A elas o meu salve e a minha admiração. Imagino que maioria tenha muito apoio envolvido.
Definitivamente rola um entorpecimento das prioridades (serão os hormônios?), no meu caso durou uns 3 anos, talvez mais. Tô despertando desse coma. Desse transe que a maternidade causou na personalidade. Desse transe maluco onde eu nem sabia mais direito quem eu era. Eu deixei de ser eu pra ser única e exclusivamente a "Mãe das 4 meninas". E tudo bem também. Cada um tem seu tempo, mas a verdade é que eu nunca deixei de ser eu, apenas estrangulei bastante meus outros eus, quase consegui matá-los. Eles estão um tanto quanto machucados, engessados, mas sobreviveram a este longo período de adaptação entre mulher e mãe e vice-versa. De repente vale a pena tentar ressuscitar o que sobrou, de repente...Algumas coisas são mais fortes do que a gente, são nossa essência, o que fazem cada ser único.
Sinto falta das palavras, da leitura. O mundo digitalizou-se muito de lá pra cá, fui engolida pela bolha perfeita do instagram, quero comprar coisas que não preciso. Gasto meu pouco tempo livre scrolling and scrolling my fucking phone. For what?! Pra nada, me recuso a fazer parte do coral dos contentes sentados na sala de jantar, me recuso a ser mais uma alienada que assiste a sociedade cada vez mais doentia e assassina e que acha que é normal viver "o Show de Truman".  Me recuso a não colaborar...que seja pra 2 pessoas... Que seja meu legado. Os valores mudaram muito... é muito difícil não ser engolido pela tecnologia, pelos 15 minutos de fama,15x15x15x15. Também não adianta ser hipócrita e achar que meia dúzia de "me recuso" versus anos sentada tomando cafe latte e olhando a vida alheia são alguma forma de protesto. Não, mas preciso recomeçar de alguma forma. Que seja esta.
O último livro que li chama-se IKIGAI (algo como o sentido da vida em japonês) terminei faz uns 3 meses. Antes deste livro não me lembro qual foi a última vez que li uma história. Acho que foi em 2016. Daí meu enferrujamento.
Sinto falta da natureza e de uma vida mais livre. Quero mudar pra Bali com minhas 4 filhas. Quero ser feliz...encontrar o amor e bater um papo sincero... descobrir se é vingança, karma ou se ainda há esperança de um dia de chuva abraçado com seu par. São tantas coisas que nem sei... aos poucos vou (re) descobrindo.
Namastê.


sábado, 13 de julho de 2013

Pegasus

sentimento enterrado eh cavalo alado preso,
sufocado, ele clama por voar
e tarda, mas um dia acaba por voltar
bate as asas do coracao que chora de aflição

 a angustia de escolhas passadas
 pautadas em incerteza e duvidas
 que agora se mostram estupidas
 a dor do poderia ter sido
 a certeza de nao ter volta...
 tristeza doi e transborda









a alma grita por calma e luz 
e relembra o tempo que seduz:
tempo de mar, ceu azul
e juventude la no sul
nostalgia se concretiza
com lagrimas e Florentino Ariza

agora somente a esperanca
com vida nova de crianca
em meio a turbulencia
cheia de impaciencia

vai passar, a flor da pele ha de se acalmar
coracao vai aprender a ser racional
e mesmo assim, vai sentir amor incondicional
amor que supre qualquer buraco
que nao deixa espaco para sentimento fraco,
vai tomar conta e acalmar
o cavalo que sempre existira.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

salve 2013!

E ai outro ano comeca e com ele a esperanca de que tudo vai dar certo, de que a vida vai melhorar e que nos vamos evoluir como seres humanos. Eu vou dar lugar ao homus ao inves da batatinha de saquinho sabor salt and vinegar e a agua no lugar dos litros de conhaque que andei tomando no ano passado. Eu nunca fui fa de conhaque... lembro que em Sao Paulo conhaque pra mim era sinomino de dreher (desce macio? #not) e tenho uma vaga lembranca de uma amiga pedindo dreher as 10 da manha do after hours, num horario decente ela jamais pediria dreher. Ai eu mudei pra Londres, essa cidade fria, verde (sim Londres eh verde e nao cinza, sorry) e fui introdizida ao transporte publico que funciona e ao conhaque. Nos dias frios eles esquentam, o tube e o henessy. O que a gente bebe vem escrito no rotulo "very special". Mas minha intencao eh falar sobre o comeco do ano e todas as resolucoes e esperancas que estao prontas pra se renovar a medida que a contagem regressiva se aproxima do 1. 10: esse ano eu vou me alimentar melhor 9. esse ano eu fazer mais exercicio fisico 8. esse ano eu vou ter mais paciencia 7. esse ano eu vou beber menos 6. esse ano eu paro de fumar 5. esse ano eu arrumo o trabalho dos meus sonhos 4. esse ano eu aprendo uma coisa nova 3. esse ano eu vou comecar uma familia 2. glup 1. sera? aeeee feliz ano novooo e dale champagne e dale vodca e dale banheiro. tudo junto. tudo em excesso porque como diz minha amiga B "odeio miseria!" e ai no outro dia eu acordo com a ressaca da vida, mas eh o primeiro dia do ano e minhas amigas que nao chegaram ainda na casa dos 30 resolvem que temos que tomar um breakfast revigorante e ir ao parque, afinal, o ceu esta azul depois de mais de uma semana e eh o primeiro dia do ano. A C completa: - voce sabe que o que voce faz no primeiro dia do ano dita como vai ser sua vida durante o ano inteiro. Penso no meu marido tomando coca cola e jogando video game e alguma coisa me diz que isso nao dita como vai ser o ano dele... ele so ta de ressaca e quer ficar na paz do x box, o que eh uma antitese tendo em vista os jogos de tiros e bombas que explodem a cada minuto e insistem em nao deixar a paz reinar na sala de tv. como alguem na ressaca consegue jogar um jogo de tiros?? enfim, era isso ou o hyde park. Fiquei com o Hyde Park. E foi a melhor escolha do dia. Tava tendo um festival de inverno la, o winter wonderland e o sol saiu de cena deixando uma ponta de ceu laranja que foi o mais perto de um por do sol que eu vi por essas bandas. Bem bonito. As luzes do parque de diversao do Wonderland com o ceu laranja-azulado fizeram do meu primeiro dia do ano super especial e a companhia de duas pessoas lindas so acrescentou mais beleza e pureza ao meu primeiro dia do ano. No outro dia cai de cama. Meu corpo pediu descanso depois de tanto alcool, caminhadas no frio e pouco sono. Febre, cha e tosse. Essa rotina durou 5 dias, porque em Londres gripe eh coisa seria. Na real eu descobri que nunca tinha ficado gripada antes de morar aqui, so tinha tido resfriado. Tipo indio mesmo. Depois de 5 dias eu voltei a me sentir mais como eu mesma e fui dar uma geral na casa que parecia ter sido vitima de um furacao. Acidentes acontecem, certo? Mas o que pensar quando voce vai estender uma roupa na porta e bate o dedo na parede e quebra o dedo? Putz o que eu pensei foi que eu estava zicada, que esse tipo de coisa nao acontece. O pior eh que foi bem o dedo do anel de casamento. Passei o dia no hospital, colocaram uma tala no dedo, ele ainda ta inchado e roxo (faz uma semana) e meus aneis nao entram. Mas ele ta melhor. Menos inchado que nos primeiros dias posteriores ao acidente idiota e ja ja os aneis voltam a servir... eu acho. Agora penso que na verdade isso nao foi zica ou macumba ou sei la o q, primeiro porque eu nao tenho inimigos (q eu saiba) e depois porque com a carga de intoxicantes e do meu mau humor tipico de quem nao estava dormindo bem, eu acredito que quem atraiu essa gripe semi suina e o dedo quebrado fui eu mesma. minha negatividade tinha cheiro de alcool e sabor de nenhuma fruta mordida por mais de semanas. Entao pra mim o ano realmente comecou essa semana agora, quando eu me recuperei da gripe e do trauma do dedo e resolvi de verdade mudar o fluxo dos meus pensamentos e alguns habitos... faz 10 dias que nao bebo alcool e nesta ultima semana tenho me alimentado muito melhor. voltei depois sei la de quanto tempo a passar creme no rosto antes de dormir. hoje fui correr, tava um dia lindo, frio ate doer, mas lindo, com um solzinho de inverno. na beira do rio pude ver 3 passaros em cima de uns troncos com as asas abertas... acho que eles estavam tomando o solzinho. bonito de se ver. um velhinho tambem os observava e colocava o rosto pra cima, pra pegar sol. bonito mesmo de se ver. poetico. hoje tambem minhas tulipas abriram e eu celebro esta sexta feira brindando minha vitamina de berries a elas: minhas lindas e vermelhas tulipas. Cheers! queijo e acafrao com cedilha ;)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

encruzilhada

Nao eh a primeira vez e tenho certeza de que nao sera a ultima em que me encontro numa encruzilhada, local onde caminhos diferentes se cruzam e voce precisar escolher um e seguir. Ironicamente eu ja estive nesta mesma, mesmissima encruzilhada antes e ai eu escolhi um caminho. Comecei correndo, depois fui andando e agora to me arrastando por ele. Eis que novamente, paro na mesma encruzilhada. Penso que ja estive aqui antes e qual eh o sentido de estar aqui novamente? Estou andando em circulos? Foi o caminho errado? O que ele me trouxe de bom? Devo prosseguir ou mudar de direcao? Estou aqui parada, estacionada com minha vassoura e minha verruga envelhecendo na ponta do nariz. Minha meia calca ta rasgada, meu cabelo olesoso e meu quarto reflete a bagunca do meu coracao e mente. Nao conto mais com os sinais divinos porque esta eh a minha decisao. De novo. Vou continuar aqui, parada, sem seguir caminho algum enquanto eu nao tiver certeza de onde quero chegar. O tempo passa, pneus cantam e jogam poeira na minha cara mostrando que a vida segue seu curso, o jornal nao vai deixar de circular amanha porque eu nao sei o que fazer, a missa de domingo vai acontecer do mesmo jeito, Laura vai tomar cafe com leite de manha independente de eu estar aqui parada, envelhecendo, cultivando o ocio. Pensando e pensando sem chegar a conclusao alguma. Olho para a arvore verde e cheia de flores e penso que se ventar agora 'e porque devo ir pelo caminho x e se nao ventar 'e porque devo continuar neste caminho. Nao venta, mas ja nao estava ventando antes... entao... era mais provavel que nao ventasse. Nao da pra criar sinais. Entro em casa, ouco Lana Del Rey cantando alguma musica cuja a melodia me deprime. Penso no quanto eu acho meu namorado bonito, no quanto eu gosto de acordar e saber que estou em Londres. Penso no jeito dele e no meu jeito. Os opostos se atraem, mas eles duram? Ontem caminhei sem rumo pela cidade. Me deparei com uma ruela muito estreita cheia tipicas casas londrinas, coladas umas nas outras com seus jardins na frente e suas janelas grandes. Me emocionei ao pensar que talvez em pouco tempo eu nao seja mais parte deste cenario. Nao existe cidade que eu ame mais. No metro uma menininha por volta de seus 5 anos passa por mim com seu patinete e o vento batendo na sua cara, ela da um gritinho: woohoo. Valeu a pena sair de casa so pra ver/ouvir isto. Sou privilegiada. No cafe na Leicester Square peco um hot chocolate. O atendente frances me pergunta em ingles se sou brasileira, respondo que sim e pergunto como ele sabe. Ele diz que pela beleza, que as brasileiras sao mto bonitas. Ele puxa assunto pergunta ha quanto tempo estou aqui, se eu gosto daqui. Eu respondo tudo e digo a ele que estou pensando em ir embora, que tenho tido problemas com meu coracao. Ele diz que eu poderia ficar com ele que ele me faria hot chocolate todo dia. Eu dou risada, agradeco e falo que ele made my day. Ele me pede pra ficar e diz pra eu ir vista-lo se eu me sentir triste ou com vontade de ir embora. O frances do pret a manger eh capaz de me dizer tudo isso sem nem me conhecer e a pessoa que cogito em passar o resto da vida nao consegue admirar um banho de banheira que preparo pra ela, nao me diz que eu deveria ficar porque ele me ama, nao me beija quando me encontra na rua. Coisas pequenas mas que juntas formam uma coisa tao grande, que me incomoda tanto. Penso se tudo isso eh uma criacao minha, se estou fazendo tempestade em copo `agua, se exigo de mais das pessoas, se o fato dele querer dividir a vida dele comigo pra sempre nao eh muito maior do que essas pequenas coisas, do que as pequenas reacoes que espero dele e que nunca tenho. Ele me deixa tao confusa... Quer saber... ainda to aqui... e tem coisas que so os girassois do Van Gogh fazem por voce... talvez os girassois me ajudem a encontrar as respostas. no minimo, eles me farao parar de lamentar. Quem sabe no caminho nao vejo de novo uma crianca deslizando com seu patinete e gritando woohoo. Ja vai ter valido a pena.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

atração não correspondida

Ela chegou em casa, tomou um banho longo e colocou a camisola. Depois pensou que algum dia ela teria que fazer alguma coisa, não dava pra viver aquela situação pra sempre. E aí sonhou com ele. Toda vez que eles se encontram ela sonha com ele. Ele mexe com ela, mas ela nao mexe com ele. É, na verdade ele nao acha ela muito interessante, acha ela bonita, mas nada demais... não é o tipo de mulher pela qual ele se sente atraído. Ele acha ela exagerada e até um pouco fútil. A coitada perde a respiração quando o vê, pensa nele como o desejo não realizado que ela gostaria muito de realizar e isso faz mais tempo do que ela gosta de lembrar. Ele nunca deu bola pra ela. Mentira, deu sim... na verdade ele até já chamou ela pra dançar tango, mas isso nunca aconteceu. A maioria das amigas dela nao acham ele bonito e nem simpático, e ela nao entende como elas não notam e nao se contagiam com o charme que ele carrega no olhar, nos movimentos e até no tom superior da voz e na escolha de palavras.
Na época em que se conheceram ela era comprometida e se sentiu naturalmente atraída por ele, foi inevitável. O fato dela ser comprometida o instigou e fez com que ele separasse uma cadeira pra ela do lado dele quando jogaram poker, fez também com que ele colocasse a mão em cima da dela quando ela pegou o copo. Um dia ela se separou do namorado e aí teve certeza que eles iriam se aproximar, se conhecer melhor. Maior do que a vontade de conversar, de saber mais sobre ele que sempre pareceu um pessoa interessante, ela sempre quis beijá-lo, ela sempre quis que que ele tocasse o pescoço dela com a boca e depois apertasse a cintura dela contra a dele... mas, para a frustração dela, nada aconteceu.
Depois que ela ficou solteira, ele perdeu o interesse e na maioria das vezes que se encontraram ela já tinha tomado mais de duas doses e falava e ria alto. Ele não gostou, criou a ideia que ela era escandalosa, metida e passou a quase ignorá-la. Tiveram ainda uma experiência de trabalho juntos que foi um completo fiasco. Ela nunca vai esquecer o dia que ele paquerou a professora na frente dela... mas também, os dias que trabalharam juntos a atraçao dela por ele diminuiu quase por completo, tamanho era o perfeccionismo e o jeitão metódico dele. Depois que passou o trabalho, eles se encontraram de novo e, como nos velhos tempos, foi só ela bater o olho nele que a respiração ficou ofegante e ela pensou que era uma droga não estar curada. Ele olhou e pensou que era bem melhor encontrá-la em festas mesmo com ela bebendo muito e falando alto do que no ambiente de trabalho. Ela quebrou um copo, ele riu e disse que nao tinha problema. Ela teve a infeliz ideia de abordar ele por mensagens no celular e estava indo bem, até terminar com uma frase bem piegas falando de biombo. Fiasco número mil.
Hoje? Ah, tudo continua mais ou menos igual, os encontros são quase formais: falam oi e conversam sobre alguma amenidade. Ele nunca comentou a mensagem brega porque não viu sentido nisso e a respiração dela continua falhando quando ela enxerga ele de longe, mas ela ja aprendeu a controlar.
Ela já sabe que sempre vai ser assim quando encontrá-lo: falha na respiração, conversa amena, uma volta pra casa falando que ele é muito gato pra amiga que vai discordar e depois um sonho que vai parecer real até ela acordar morrendo de sede no meio da noite. No outro dia ela vai pensar nele de novo e depois a vida vai seguir e ela vai deixar pra lá, até o próximo encontro.
Ela deseja ele quase como um homem deseja uma mulher. A diferença é que o intelecto e o pouco que ela conhece da personalidade dele, fazem parte do pacote do desejo. É o desejo genuíno de mente e corpo. E isso, até que se realize vai continuar assim.
Ela odeia essa situação, odeia encontrá-lo e sentir vontade de beijá-lo e se incomoda quando ve ele vez ou outra com uma moça a tiracolo. Ela já pensou em falar com ele, jogar limpo e na cara que ela morre de vontade de dar um beijo nele, um que fosse... mas ela não vê sentido nisso porque ela sabe que ele sabe das intenções dela. Então, pra que se expor? Eu não sei nem o que falar pra ela... mas penso que talvez seja só uma atração que ela deveria superar, vai ver é um teste de superação. Como o alcoolatra que para de beber e da de cara com um boteco na esquina cheio de amigos bebendo cachaça. É, talvez ela só tenha q superar isso... talvez essa atração alimentada pelo desdém dele seja só uma ilusão criada pela cabeça dela com o objetivo de estabelecer seus próprios limites.

sábado, 3 de dezembro de 2011

luz acesa, energia estranha
pesa, da sono,esgana
hipocrisia, cigarro e vinho
afogam o leao marinho
aqui ou no show
eu quero fazer snow
ou deitar e dormir
pra amanha conseguir
correr, comer, passear
e depois me embriagar
com detergente

só assim pra expelir
a fumaça dentro de mim
que não tem cheiro nem alma
mas que impregna e acalma

amanha vou ler revista
aquela lá capitalista
sentimento que alivia
qualquer dor ou arritmia
roxo avestruz e azul pavão
são as cores clássicas
da escola sem corrimão

da porcaria inata
nasce o ovo e a galinha
o menino come bala
e senteba serotonina

amiga das noites
musa da madrugada,
com ou sem sua ajuda
vou precisar da boiada

terça-feira, 29 de novembro de 2011

as flores de plástico não morrem


Mubarak, Assad, Gaddafi.
As flores virão mesmo depois deles?
Ou as mãos de ferro só serão trocadas por outras?
O jornal estampa o número de 250 crianças mortas na Síria.
Com os ditadores varridos e a democracia instalada, ficará o oriente mais com cara de ocidente?
De que maneira a intervenção da ONU e do ocidente afeta a cultura oriental?
Mas matar crianças, oprimir e violentar mulheres não é parte de cultura alguma...
É atrocidade mesmo. É inadmissível seja em árabe, português ou italiano.
Enquanto isso a Europa e os Estados Unidos se espremem para pagar suas dívidas.
O Brasil se vangloria da crescente economia, mesmo continuando longe de ter a renda média que o francês recebe no ano.
como se manter sã quando a conhecida compra receita falsificada de Rivotril no Largo Treze e usa de colirio genérico do José Simão?
porque não existem mais líderes como Gandhi ou John Lennon que se dedicaram a uma revolução pacífica?
Onde está a motivação para entender o que acontece e querer ajudar de alguma forma?
Talvez nas fronteiras. Mas, além deles, dos médicos que se dedicam a salvar vidas em regiões críticas, ninguém mais faz nada?
O que eu faço todo dia enquanto uma criança morre em Damasco ou de fome no nordeste?
O que você faz?
Passeia na Liberdade e compra biscoitos doces japoneses.
É a cegueira generalizada que Saramago previu. Enquanto o mundo arde em chamas, vidas vazias recheadas com refeições gordurosas e açucaradas são compartilhadas entre pessoas que se dizem amigas mas que ao se cruzarem na esquina ou no café, desviam o olhar e fingem não se conhecer.