quarta-feira, 6 de junho de 2012

encruzilhada

Nao eh a primeira vez e tenho certeza de que nao sera a ultima em que me encontro numa encruzilhada, local onde caminhos diferentes se cruzam e voce precisar escolher um e seguir. Ironicamente eu ja estive nesta mesma, mesmissima encruzilhada antes e ai eu escolhi um caminho. Comecei correndo, depois fui andando e agora to me arrastando por ele. Eis que novamente, paro na mesma encruzilhada. Penso que ja estive aqui antes e qual eh o sentido de estar aqui novamente? Estou andando em circulos? Foi o caminho errado? O que ele me trouxe de bom? Devo prosseguir ou mudar de direcao? Estou aqui parada, estacionada com minha vassoura e minha verruga envelhecendo na ponta do nariz. Minha meia calca ta rasgada, meu cabelo olesoso e meu quarto reflete a bagunca do meu coracao e mente. Nao conto mais com os sinais divinos porque esta eh a minha decisao. De novo. Vou continuar aqui, parada, sem seguir caminho algum enquanto eu nao tiver certeza de onde quero chegar. O tempo passa, pneus cantam e jogam poeira na minha cara mostrando que a vida segue seu curso, o jornal nao vai deixar de circular amanha porque eu nao sei o que fazer, a missa de domingo vai acontecer do mesmo jeito, Laura vai tomar cafe com leite de manha independente de eu estar aqui parada, envelhecendo, cultivando o ocio. Pensando e pensando sem chegar a conclusao alguma. Olho para a arvore verde e cheia de flores e penso que se ventar agora 'e porque devo ir pelo caminho x e se nao ventar 'e porque devo continuar neste caminho. Nao venta, mas ja nao estava ventando antes... entao... era mais provavel que nao ventasse. Nao da pra criar sinais. Entro em casa, ouco Lana Del Rey cantando alguma musica cuja a melodia me deprime. Penso no quanto eu acho meu namorado bonito, no quanto eu gosto de acordar e saber que estou em Londres. Penso no jeito dele e no meu jeito. Os opostos se atraem, mas eles duram? Ontem caminhei sem rumo pela cidade. Me deparei com uma ruela muito estreita cheia tipicas casas londrinas, coladas umas nas outras com seus jardins na frente e suas janelas grandes. Me emocionei ao pensar que talvez em pouco tempo eu nao seja mais parte deste cenario. Nao existe cidade que eu ame mais. No metro uma menininha por volta de seus 5 anos passa por mim com seu patinete e o vento batendo na sua cara, ela da um gritinho: woohoo. Valeu a pena sair de casa so pra ver/ouvir isto. Sou privilegiada. No cafe na Leicester Square peco um hot chocolate. O atendente frances me pergunta em ingles se sou brasileira, respondo que sim e pergunto como ele sabe. Ele diz que pela beleza, que as brasileiras sao mto bonitas. Ele puxa assunto pergunta ha quanto tempo estou aqui, se eu gosto daqui. Eu respondo tudo e digo a ele que estou pensando em ir embora, que tenho tido problemas com meu coracao. Ele diz que eu poderia ficar com ele que ele me faria hot chocolate todo dia. Eu dou risada, agradeco e falo que ele made my day. Ele me pede pra ficar e diz pra eu ir vista-lo se eu me sentir triste ou com vontade de ir embora. O frances do pret a manger eh capaz de me dizer tudo isso sem nem me conhecer e a pessoa que cogito em passar o resto da vida nao consegue admirar um banho de banheira que preparo pra ela, nao me diz que eu deveria ficar porque ele me ama, nao me beija quando me encontra na rua. Coisas pequenas mas que juntas formam uma coisa tao grande, que me incomoda tanto. Penso se tudo isso eh uma criacao minha, se estou fazendo tempestade em copo `agua, se exigo de mais das pessoas, se o fato dele querer dividir a vida dele comigo pra sempre nao eh muito maior do que essas pequenas coisas, do que as pequenas reacoes que espero dele e que nunca tenho. Ele me deixa tao confusa... Quer saber... ainda to aqui... e tem coisas que so os girassois do Van Gogh fazem por voce... talvez os girassois me ajudem a encontrar as respostas. no minimo, eles me farao parar de lamentar. Quem sabe no caminho nao vejo de novo uma crianca deslizando com seu patinete e gritando woohoo. Ja vai ter valido a pena.