terça-feira, 29 de novembro de 2011

as flores de plástico não morrem


Mubarak, Assad, Gaddafi.
As flores virão mesmo depois deles?
Ou as mãos de ferro só serão trocadas por outras?
O jornal estampa o número de 250 crianças mortas na Síria.
Com os ditadores varridos e a democracia instalada, ficará o oriente mais com cara de ocidente?
De que maneira a intervenção da ONU e do ocidente afeta a cultura oriental?
Mas matar crianças, oprimir e violentar mulheres não é parte de cultura alguma...
É atrocidade mesmo. É inadmissível seja em árabe, português ou italiano.
Enquanto isso a Europa e os Estados Unidos se espremem para pagar suas dívidas.
O Brasil se vangloria da crescente economia, mesmo continuando longe de ter a renda média que o francês recebe no ano.
como se manter sã quando a conhecida compra receita falsificada de Rivotril no Largo Treze e usa de colirio genérico do José Simão?
porque não existem mais líderes como Gandhi ou John Lennon que se dedicaram a uma revolução pacífica?
Onde está a motivação para entender o que acontece e querer ajudar de alguma forma?
Talvez nas fronteiras. Mas, além deles, dos médicos que se dedicam a salvar vidas em regiões críticas, ninguém mais faz nada?
O que eu faço todo dia enquanto uma criança morre em Damasco ou de fome no nordeste?
O que você faz?
Passeia na Liberdade e compra biscoitos doces japoneses.
É a cegueira generalizada que Saramago previu. Enquanto o mundo arde em chamas, vidas vazias recheadas com refeições gordurosas e açucaradas são compartilhadas entre pessoas que se dizem amigas mas que ao se cruzarem na esquina ou no café, desviam o olhar e fingem não se conhecer.

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