quarta-feira, 21 de julho de 2010

São Tomás Douradinho

Não precisam mais se preocupar com o que os outros pensam.
A rotina rupestre: plantar, arar, colher,
Faz com que pensem por si próprios.
Agora, e só agora, conseguem enxergar o grande segredo:
Simplicidade, empatia, amor.
Levarão apenas aquilo que irradiam.

Se antes vestiam relógios e rostos sisudos,
Agora contam o tempo pelo sol e seus olhos cintilam
ao bater de asas das andorinhas.
Pulmões já não sentem mais falta de fumaça,
O fogão a lenha libera aroma que aguça os sentidos.

Os montes, as flores e o rio estão ali.
Se para Caeiro isto é Deus,
Talvez para eles também seja.
Não pensam sobre isso,
Pensam sobre a colheita.

Á beira do riacho fazem amor,
sem consciência de que o que fazem é poesia.
Comunicam-se pelo olhar com facilidade,
E vez ou outra pelo pensamento.
A sintonia harmoniosa permite tal privilégio.

Se antes o programa de auditório da TV lhes dava gozo,
Agora apreciam e se encantam com o nascer do sol.
Sentam-se à mesa para todas as refeições,
Ela coloca flores no vaso todos os dias,
Ele leva leite fresco para a ambrosia.

Ele talhou a madeira
Ela pintou as letras
da placa da entrada que diz
"Fazenda São Tomás Douradinho"

Deram sentido a tudo que antes não tinha.
E cada vez que ela inclina a cabeça pro lado e joga os cabelos,
A alma dele sorri.
E cada vez que ele abre e fecha os olhos e coça o ombro esquerdo,
A alma dela sorri.

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