quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

God Save The Wikileaks!


Espião ou Fonte, Wikileaks é nova forma de divulgar informações

Assim como Gutemberg revolucionou a imprensa com a técnica da tipografia, Julian Assange e seu Wikileaks mudam a maneira de receber, editar e fornecer informações a imprensa e ao grande público.
28 de novembro de 2010 foi o dia que a organização Wikileaks iniciou a divulgação de 250 mil documentos oficiais que afetam diretamente a diplomacia americana. Desde então, o gigante do norte tem se esforçado na tentativa de parar a divulgação e de prender o fundador da organização, Julian Assange.
Contas bloqueadas, mais de 100 mil euros perdidos. Companhias de cartões de créditos responsáveis pelo serviço de doações ao site pararam de operar impedindo ajuda financeira dos adeptos para “manter a organização forte” – slogan que aparece na página inicial do site. Medidas inúteis, o Wikileaks continua na rede com mais de mil endereços que podem ser acessados por qualquer pessoa.
Assange, australiano de 39 anos foi detido em Londres após se apresentar a polícia britânica. A acusação contra ele é de estupro na Suécia, mas a motivação política para que ele seja detido vai além desta acusação. Independente de sua prisão, a organização afirma que as divulgações vão continuar até que todos os documentos sejam revelados.
O trabalho desenvolvido pelo Wikileaks se encaixa perfeitamente nos padrões da imprensa digital dos dias de hoje: rapidez atrelada à enorme quantidade de informação. Explico: se antes da internet, as fontes tratavam diretamente com o jornalista, de forma anônima ou não, fornecendo informações preciosas de interesse público, a forma de operar do Wikileaks corresponde a este mesmo padrão só que ao invés de uma única fonte, são inúmeras, provavelmente de dentro do governo americano que fornecem informações oficiais e têm o sigilo de suas identidades garantido pelo anonimato da rede, desta forma como é maior a quantidade de fontes é também maior a quantidade de informações.
A opinião se divide entre espião ou fonte. Fato é que a organização é prato cheio para jornalistas que dispõem de informação oficial à distância de poucos cliques. Assange rebate as acusações de espionagem dizendo que espião é aquele que trabalha para conseguir material e repassar a estrangeiros. Os documentos divulgados pelo Wikileaks são fornecidos por livre e espontânea vontade de seus colaboradores. Esse material não é passado exclusivamente a um único governo ou entidade e sim para imprensa, que por sua vez edita parte da documentação mantendo informações de interesse público inalteradas.
Transparência nunca foi característica das relações diplomáticas e não se sabe qual é a principal motivação do australiano bom de cálculos, mas no que diz respeito ao jornalismo, o Wikileaks casa a tecnologia do digital aos princípios do impresso - análise de dados- inaugurando uma nova forma de divulgar informações.

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