Desde criança sempre quis conhecer a Europa. Lembro de mim e uma amiga com uns 13 anos, um mapa da Europa nas mãos. Marcávamos com um lápis vermelho os lugares que iríamos quando completássemos 18 anos. O plano era trabalhar nas colheitas de uva na França e com o dinheiro viajar por vários países. Era um bom plano. Infelizmente não se concretizou. Acabei conhecendo a Austrália e uma parte da Ásia, mas a Europa ainda não tinha dado certo, muito caro.
Eis que em 2009 acabei indo não uma, mas duas vezes ao velho continente.
- “Muito chique!” - Diziam conhecidos, amigos, familiares. Sim, também acho chique! Só que com certeza não teria ido no verão e depois no inverno se não tivesse um namorado que vivesse em Londres e uma amiga que morasse na Itália.
Londres, a cidade que sempre exerceu enorme fascínio sobre mim. E esse fascínio nunca teve explicação, eu sempre quis simplesmente ir pra lá, sem saber exatamente o motivo, eu só precisava... ir. As cidades sempre me encantaram, nunca fui do tipo de paulistana que odeia São Paulo. Sim, porque a maioria dos que moram em Sampa odeiam morar aqui ou gostam de dizer que odeiam. Adoro essa coisa cosmopolita das grandes cidades, a possibilidade de comer um temaki as 03h00 da madrugada e depois ainda encontrar uma boa festa em algum canto da metrópole. Nesse aspecto Londres sempre me chamou a atenção. É, talvez seja por isso que sempre tive a necessidade de um dia ir pra lá, mesmo sem saber que esse era o motivo.
Adorei minha última estada em Londres, foram apenas 4 dias, depois segui para Amsterdam. O charme da cidade no inverno é sedutor. Os casacos, mince pie com vinho de sobremesa, pistas de patinação no gelo. Tudo muito bonito mesmo.
Cheguei a pensar que eu poderia viver lá sem sacrifícios. Hoje, quatro meses depois já não tenho mais essa certeza. O inverno brasileiro é mais verde do que o de lá. Eu gosto de falar português, ler em protuguês, assistir a peças de teatro em português, ouvir Chico Buarque e Cartola caminhando pela Rua Augusta.
E não é só a língua. É a crise também, a Grécia grita por socorro enquanto seu povo descontente com cortes de salários sai às ruas em protesto, mesmo sabendo que não existem muitas possibilidades se não esta para tentar salvar o berço da civilização ocidental. Talvez Espanha e Portugal também estejam a beira de um colapso que tentam esconder. Os britânicos votaram com medo num candidato que ainda não sabem se vai assumir porque não tem maioria no parlamento. Enfim, uma confusão só. Vou sair do Brasil pra ir pra lá fazer o que? O Brasil está decolando (http://www.braziliantvproducers.com/site/texto/Economist_Brazil_Takes_Off.pdf -capa de The Economist do fim do ano passado). Olimpíadas, Copa, nova classe média. Me sinto bem em fazer parte de tudo isso e torço para que o país cresça e se desenvolva conscientemente sem dar passos maiores que as pernas.
Enfim, a Europa é linda, Londres é incrível, mas eu sou brasileira e amo toda nossa enorme diversidade.
3 comentários:
Realmente interagir com a cultura e way of life do velho mundo deve ser incrível! Mas imagino que você esteja certa quando diz que quer falar, ver e ouvir em português, afinal não tem nada melhor do que falar abobrinha (porque a própria abobrinha nasceu aqui como a gente) na sua língua e fazer parte de uma rotina (sempre é)de peculiaridades do verde, amarelo, feijoada, futebol, carnaval e vontade de vencer a pesar dos pesares dessa terra da gente...
Eu bem lembro dos nossos planos de viajar o mundo com 18 anos... jà se passaram 10 anos da data em qu deveriamos ter realizado esse "plano" e nossa vontade continua a mesma!
Mesmo assim, jà demos um jeito de dar umas voltas mundo afora e aproveitar todas as viagens, sempre com a empolgaçao dos nossos 13 anos!
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