
Ainda bem q saí de SP! Secura sem fim! Umidade do ar baixíssima em uma das cidades que nunca dorme. Bebe-se água, bebe-se mais e a sede continua! Meu nariz sangrou ontem... é, o negócio tá pra dança da chuva e mandinga.
Mudança brusca de tempo, mudança brusca também em minha vida: depois de seis anos sou uma pessoa solteira. Pela primeira vez em muuuuito tempo estou praticando fazer as coisas por eu mesma e não pelo o outro. Chega uma hora no relacionamento que ou as coisas mudam e tudo se renova ou a acomodação toma conta de tal forma que perde-se o sentido de renovação... é complicado. Acho que não sou muito boa pra falar sobre relacionamento homem/mulher. Um amigo me perguntou o motivo da separação e eu resumi em pouquíssimas palavras (mania de jornalista de cortar palavras?) sei não... talvez um pouco disso, um pouco de vergonha de estar solteira depois de 6 anos, é cara... depois de um tempo as pessoas passam a cobrar que alguma coisa mude na sua vida amorosa! Enfim, sei que ele me sugeriu falar sobre isso aqui no blog mas em forma de narrativa e em terceira pessoa... é umas né? Um dia, um dia.
Andei meio sumida mesmo, essa coisa toda mexeu comigo. Até mesmo quando o fim é iminente, quando acontece muita coisa muda, toda uma rotina muda. Caí na balada, comecei a ver uns cursos e estou pensando em mudar de profissão. Vou continuar a escrever porque isso é necessidade. Se bem que a minha assiduidade precária não me dá moral pra falar sobre letras. O lance é que preciso de uma coisa mais estável e que pague minhas contas.
Vida de solteira não é fácil não, viu? Boa parte das minhas amigas estão em um relacionamento estável e outra parte já tá tão acostumada a solteirice que nem faz questão de sair na sexta à noite. Nossa! Que deprê me deu esses dias de ficar em casa na sexta. Eu olhava pela janela, os prédios em torno me olhavam de volta, fumava um cigarro, ouvia um Pixies pela milhonésima vez... aí bateu aquela vontade de falar com alguém, chamar pra sair, dar uma volta e tal... esse dia específico eu tava na paranóia delirante de uma pessoa. Fiquei me remoendo pra procurar o tal, escrevi uma mensagem umas 10 vezes e apaguei... aí quando notei que não teria paz se não tentasse um contato, mandei a mensagem. Tive resposta e depois uma ligação. A conversa foi ótima, é uma pessoa muito querida, no entanto, acabei nem encontrando o ser... melhor deixar pra lá, era só sarna e coceira boa pra mim é só a da mão que chama dinheiro!
Hum, que mais? Poxa essa coisa de ficar sem escrever é ruim viu, a gente perde a prática... igual ficar sem fazer exercício físico e aí depois de um mês ir no parque dar 4 voltas.
Quase morri esbaforida. Arranquei meu siso, tive que ficar uma semana de molho tomando sorvete (descobri o de milho verde! Uma delícia) e aí fiquei sem fazer atividade física. Mais ou menos na verdade, como estou sem carro, rodo pra cima e pra baixo de transporte público e ando um tanto também. Ontem resolvi ir no parque pra quebrar esse jejum da serotonina pelo exercício. Fiz logo uma playlist nova e dei as 4 voltas. Animal!
Tenho andado ali pelos lados de Pinheiros, tô vendo umas paradas lá. Outro dia, depois de alguns cafés, saí da Casa das Rosas e fui até as Clínicas, desci a Teodoro. Gente, como é legal observar os transeuntes da cidade. Passou um cara por mim com um xaveco jóia: " - Você não é revista, mas é capa". Adorei! Eu nem tava mal humorada esse dia, mas se estivesse com certeza abriria um sorriso na hora. Não pela carência, mas pela criatividade. Cultura de rua é bom demais, sô!
Nessa mesma pegada fui ver uma exposição (ainda deve estar em cartaz) de um artista plástico americano, Keith Haring, amei! Arte peculiar dos anos 70, marcada pela contra-cultura, vi muita coisa com aquela técnica de estampa (silkscreen), que eu particularmente adoro, cores e formas lindas, uma coisa meio quadrinhos. Bem legal. Vendo a arte dele pensei logo em uns 3 cartunistas que vieram depois...
Tava pensando, acho que os jovens hoje são mais caretas, não? Lá nos anos 60, 70 era um tal de maconha, heroína, cocaína, outras "ínas" e susbtâncias entorpecentes usadas pela classe artística e tanta novidade surgiu... me parece que a produção de arte era mais original... ai que medo de falar sobre isso e gerar uma interpretação de apologia às drogas...NÃO! Sem essa... é que não sei, acho que antes os artistas tinham mais inspiração, não sei se era causada pela opressão de um regime ditatorial como no caso do Brasil por exemplo, ou pela descoberta do LSD combinado a guitarras de Jimmy Hendrix e a guerra do Vietnam nos EUA. Só sei que hoje, parte da produção artística me parece meio... meio... copiada. Artistas utilizam referências para seus trabalhos, eu sei. Mas não é isso... às vezes fico com a impressão de que a criatividade de hoje é um pouco... putz que palavra usar? Um pouco... copiada mesmo.
Talvez isto aconteça devido a quantidade massiva de informação, mas por outro lado, esse "acesso a tudo" não deveria fazer com que tivéssemos mais referências? Será que a mistura de referências toscas e elevadas deixam parte da cultura contemporânea com essa cara de cópia meia boca? O cara da banda Restart falou ontem que eles são os novos Beatles! Claro que existem coisas boas com estética original e bela, Beatriz Milhazes é de tirar o fôlego! Mas às vezes fico com essa impressão da cópia e da eterna volta ao passado. Quer coisa mais na moda do que cultura vintage? Eu mesma caio na fogueira falando aqui de Jimmy Hendrix e Tropicalismo.
Outra coisa da moda: ser saudável! A galera hoje quer viver até 100 anos, e meu... eu me pergunto: pra que??? Aí fica essa idéia de vida saudável sendo vendida a rodo em toda esquina: coma alface, tome vitamina Z e prolongue sua vida. Li outro dia o Pondé falando que o legal da vida é tomar vinho, fumar, fazer coisa proibida...isso tem pé pra mim! Legal trocar carro por bicicleta, legal também fazer exercícios e comer bem, mas poxa, me deixa fumar meu cigarrinho em paz... me dá minha Cynar na sexta vai. Isso é vida também!
Um comentário:
... tava pensando naquele lance do povo querer ser saudável, é uma onda mesmo... o as pessoas gastam uma puta grana com esse monte de coisas que garantem a juventude eterna sendo que seria mais garantido dar mais risada, ficar mais tempo com as pessoas amadas e, inclusive, se jogar, fazer umas coisas proibidas só pra brincar um pouco com a vida... essa gente toda deveria ser adepta ao equilíbrio, ou à tentativa de... uma vez que esse negócio de equilíbrio é uma outra piração...
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