nunca fui muito de rezar, mas quele dia eu rezei. rezei com muita fé. foi o dia da morte da minha irma. sentia uma dor tao grande que cheguei a conclusao q a unica cura seria uma dose muito forte de amor. entao me ajoelhei e pedi a Deus e ao Universo que eles me trouxessem o amor. eu queria saber como era esse tal de amor. até entao, nunca tinha amado ninguem que nao fosse da minha familia ou meus amigos.
e aí, depois de morte, intrigas e traiçoes, o amor veio. um presente divino. vestindo preto e com o cabelo curto. o antidoto de todo o mal.
com ela eu aprendi a amar, a ir ao cinema e a gostar da cidade, pelo menos mais do q eu gostava antes.
os anos passaram e nos continuamos juntos. conhecemos aquela alegria que só o amor possibilita. ficamos cegos, viamos o mundo atraves do olho do outro. nos misturamos.
daí eu fui ao poucos me anulando e me tornando ela. num surto de personalidade resolvi que iria voltar a ser eu mesmo e a fazer as coisas que eu gostava de fazer, sem me importar com a opiniao dela. e resolvi também que se o tal amor fosse verdadeiro, nada, nada mataria. eu poderia fazer de tudo, ir onde quisesse, comer todo mundo que o amor, se fosse amor mesmo, haveria de sobreviver.
eu quis testar o amor. ver até onde ele suportaria. como um preso da ditadura que torturado até a beira da morte, confessa o crime que nao cometeu.
eu fiz isso com o amor. desdenhei. eu fiz de tudo para que ele provasse de todas as formas que era ele mesmo. e nao uma paixonite disfarçada de amor.
nem com o tempo eu fui perdendo a desconfiança. com todos meus defeitos, as vezes eu acahava q nao era digno daquele amor. achava que aquele amor era uma coisa efemera, q ia acabar passando e era melhor que eu estivesse preparado pra quando a hora chegasse.
mas ele nao passou, ele insistiu. ele lutou. ele resistiu a todas minhas pancadas. até que um dia, ele cansou.
um dia eu simplesmente acordei e vi que o amor tinha ido embora, deixara a porta aberta, escancarada. nao teve o cuidado de fechar. depois entendi que ele fugiu. escapou do cativeiro...encontrou um vao e passou pra rua.
posso ouvir o suspiro aliviado de um amor que foi surrado, maltratado. agora livre. feliz. e o que ficou pra mim? a total ausencia de amor.
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